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ComoFazer Compostagem

Madeira ramial triturada

Foi num vídeo do Rebello, do CEPEAS, que ouvi pela primeira vez sobre estudos científicos de melhoria do solo usando galhos novos triturados. Aí então, comecei eu mesmo a pesquisar essa técnica nas minhas composteiras.

Depois, descobri o método do francês Jean Pain, cujo mini-documentário incrível está num link abaixo e seu livro, neste PDF. O cara não só desenvolveu um método de compostagem que gera adubo, gás e calor para ser usado em sua casa, como construiu uma série de trituradores para picar as árvores.

Ainda estou procurando o artigo científico de Gilles Lemieux, citado pelo Rebello no vídeo acima. Enquanto isso, publico abaixo um textinho resumindo a questão.

Tradução do artigo Ramial Chipped Wood: A complete introduction.


Publicado em 29 de setembro de 2022, por Huw Richards.

Ramial Chipped Wood: A Complete Introduction

Uma explicação concisa

A Madeira Ramial Triturada (MRT) é utilizada para melhorar o solo nas plantações e nos jardins. Ela é obtida de galhos menores e mais jovens, tipicamente de até 7cm de diâmetro, que são recém colhidos de cercas vivas, arbustos para poda ou podas anuais. A técnica tem como precursor o canadense Gilles Lemieux, que resumiu a abordagem como “imitar o solo florestal num solo agrícola, só que sem as árvores”.

Madeira ramial triturada com atividade fúngica

Nos ramos jovens é onde acontece o crescimento mais vigoroso de uma árvore, o que significa que eles são muito mais ricos nutricionalmente do que a madeira mais velha, mais espessa, e são mais facilmente digeríveis por organismos benéficos no solo. Eles normalmente contêm até 75% dos minerais, açúcares, amidos, aminoácidos, proteínas, fito hormônios e enzimas de uma árvore. A maioria das espécies de árvores pode ser utilizada para isso. Deve-se dar preferência para as árvores decíduas, mas até 20% do material de coníferas, eucaliptos ou castanheiros podem ser adicionados antes que seus aspectos ácidos ou alelopáticos (inibidores de crescimento) se tornem um problema. Para evitar a propagação de doenças, descarte o material das árvores infectadas.

Uma vez triturado, temos mais superfície do material exposta a fungos e outros microorganismos. Em seguida, ele é decomposto e pode ser incorporado ou colocado sobre o solo. Descobriu-se que essa técncica tem inúmeros benefícios para o rendimento e a qualidade das culturas, melhorando a estrutura do solo e a retenção de água, aumentando o número de microorganismos benéficos, fornecendo proteção contra geadas e reduzindo ervas daninhas, e ajudando a neutralizar os solos ácidos.

Aplicações comuns

A MRT pode ser incorporada ao solo, aplicado diretamente na superfície como uma cobertura morta, ou pode ser compostado primeiro antes da aplicação. Entretanto, Iain Tolhurst, da Tolhurst Organic no Reino Unido, descobriu através nas suas pesquisas que não houve nenhum benefício em compostar primeiro a MRT – e ela funcionou muito bem quando aplicada diretamente como cobertura.

Outra aplicação seria usá-la em caminhos para aumentar a vida útil do solo e permitir que as raízes das plantas se tirem proveito disso; neste caso, morangos.

A época ideal para incorporar a MRT é no outono e no inverno. Isto permite tempo suficiente para que o material se decomponha, o que reduz temporariamente o conteúdo de nitrogênio no solo. Os níveis de nitrogênio voltarão então no tempo para o plantio das culturas na primavera. Se usado como cobertura morta ou o material for compostado primeiro, ele pode ser aplicado em qualquer época do ano. Uma boa opção é a cobertura morta entre os canteiros, trazendo benefícios para a flora e fauna do solo sem a diminuição do nitrogênio a curto prazo em sua área de cultivo. Uma vez decomposta, ela pode então ser adicionada aos canteiros (ou como diz Ian Tollhurst, “deixe que os vermes o façam o trabalho por você!”). O melhor é utilizar a MRT o mais rápido possível após a colheita, para se obter um valor nutricional ideal.

Estudos de caso

Depois de ler sobre os resultados espetaculares de Jean Pain usando madeira ramial triturada em sua horta – mesmo em uma área onde a chuva é muito rara e onde a temperatura muitas vezes excede 40 °C no verão – a bióloga Edith Smeesters decidiu, há quarenta anos, usar a abordagem em sua nova horta, com enorme sucesso. A horta, construída sobre o que era essencialmente um aterro sanitário, tornou-se exuberante e produtiva em menos de dois anos e ela continua usando MRT até hoje.

Um estudo realizado no Senegal constatou que o uso de madeira ramial triturada resultou em um aumento de rendimento de até 1000% para o tomate e um estudo no Quebec constatou um aumento de rendimento de 300% para os morangos.

Quando e o que triturar

A MRT é melhor coletada no outono quando o material está cheio dos nutrientes que está armazenando para o inverno. A maioria dos tipos de árvores é adequada, com as exceções mencionadas acima, mas as seguintes são particularmente recomendadas. Uma mistura de espécies é ideal para a MRT, pois todas elas terão benefícios particulares.

Árvores pioneiras – estas são as espécies que retornam primeiro a áreas degradadas ou desmatadas em sua localidade. Elas são uma boa escolha, pois são particularmente adaptadas para melhorar a saúde e a densidade de nutrientes dos solos.

Freixos – árvores altas e graciosas, membros da família das oliveiras e lilases. Devido a sua força e densidade, eram tradicionalmente usada para fazer as hastes das lanças e muitas ferramentas. Elas também dão seu nome, em galês, ao nosso sítio experimental de jardinagem regenerativa Dan Yr Onnen, ou seja, debaixo do freixo. Se você tem um freixo com sintomas de die-back, você deve seguir as recomendações de descarte para sua área.

Carvalhos – favorito dos carpinteiros por sua durabilidade e trabalhabilidade. Existem duas espécies encontradas no Reino Unido, o Carvalho Comum (ou inglês) e o Carvalho Sésseis, que tem um tronco mais reto e ramos mais retos. As bolotas (seus frutos) sustentam a vida selvagem e com a preparação correta, os humanos também!

Salgueiros – são de crescimento rápido, muito fácil de propagar, fazendo a espécie perfeita para poda regular. Além de ser um excelente constituinte para a madeira ramial triturada, também tem sido usada tradicionalmente para tecer cestas e fazer a armação da canoa coracle galês. O salgueiro tem uma relação mutualista com pelo menos 21 espécies de fungos, o que a torna um ingrediente ideal em uma mistura de MRT.

Aveleiras – uma das árvores mais úteis devido aos seus caules flexíveis, e deliciosas nozes – amadas tanto por pessoas como por esquilos. Quando cortada, uma aveleira pode viver por várias centenas de anos.

Plátanos – o plátano (sycamore maple) é a espécie de ácer mais comum na Europa, enquanto o ácer de campo (field maple) é nativo do Reino Unido. Suas folhas largas e robustas auxiliam a vida selvagem, além de serem ótimas para combater a poluição do ar.

Fazendo sua própria madeira ramial triturada

Como guia, um jardim de 100m2 exigiria cerca de 3m3 de MRT. Para as quantidades necessárias para um jardim, é melhor usar um triturador. Usamos o Forestmaster 14 HP Professional, que é perfeito para jardins comunitários e locais maiores. O Forestmaster 6HP Compact é mais adequado para jardins individuais e menores. O modelo Professional vai triturar madeira de até 100mm de diâmetro (4″) e é capaz de triturar qualquer madeira recém cortada, seja dura ou macia. O modelo Compacto tritura até 50mm (2 polegadas) de diâmetro e seu peso leve e tamanho compacto o tornam extremamente manobrável e fácil de guardar. Há também um triturador elétrico de 4HP que funciona fora da rede doméstica padrão e é bem adequado para os galhos menores usados para MRT.

Impressões pessoais do autor deste artigo

Acredito que a madeira ramial triturada é um recurso inexplorado dentro do mundo da horticultura e que possui um potencial fascinante que precisa ser pesquisado mais a fundo. É por isso que a MRT vai desempenhar um papel fundamental em meu plantios, especialmente em nossos locais de experimentação, com a esperança de mostrar resultados concretos.

No futuro, posso imaginar comunidades com seus próprios bosques de poda de curta rotação e um triturador compartilhado e colher a madeira adequada para fazer este recurso em escala e dar um grande passo para ser mais resiliente em termos de produzir sua própria fertilidade e composto.

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Compostagem plantio

Questões sobre adubação verde

Faz pouco, descobri o livro “Um testamento agrícola”, de Sir Albert Howard. Dentre todos os materiais sobre compostagem que caíram na minha mão, esse tem sido o mais abrangente, científico e com uma linguagem simples.

Porém, ele foi escrito no final dos anos 1940. Então, apesar de parecer completo e convincente, no estágio inicial da minha pesquisa sobre compostagem, ainda não saberia dizer o que mudou desde então. O que se sabe mais recentemente sobre as questões que Howard levantou 80 anos atrás?

Nesta postagem, vou reproduzir um trecho da parte sobre adubos verdes. As imagens fui eu que escolhi. Se alguém tiver informações atualizadas sobre o assunto, bote nos comentários a fonte ou escreva pro meu email.


ADUBAÇÃO VERDE

Desde que Schultz-Lupitz demonstrou, pela primeira vez, em 1880, como solos arenosos do Norte da Alemanha poderiam ser melhorados, em textura e em fertilidade, através da incorporação de uma cultura de tremoço, as possibilidades desse método de enriquecimento dos solos têm sido amplamente exploradas pelas estações experimentais. Depois que a fixação de nitrogênio nos nódulos radiculares das leguminosas foi provado, os desafios com relação à adubação verde centraram-se na utilização das leguminosas como fornecedor de nitrogênio combinado, além de matéria orgânica para os solos. Ao fim do século 19 parecia muito fácil a resolução do problema da manutenção da fertilidade dos solos, pela incorporação de uma cultura de leguminosas no solo que seria também algo bastante econômico. Com economia e pouco trabalho, os nódulos das leguminosas podem ser usados como uma fábrica de nitrogênio, enquanto o restante da planta forneceria húmus. Tudo isso poderia ser realizado a baixos custos e sem interferir nos cultivos tradicionais. Essa esperança, um legado da mentalidade reducionista do NPK, levou a inumeráveis experimentos de adubação verde em todo o mundo, com praticamente todas as espécies leguminosas. Em poucos casos, particularmente em solos descobertos e bem aerados, nos quais as chuvas, após a incorporação das leguminosas, eram bem distribuídas, e ainda onde um bom período de tempo era deixado para a decomposição, os resultados foram satisfatórios. Na maior parte das vezes, os resultados foram um desapontamento. Será bastante útil examinarmos todo o problema, de forma a determinarmos, se possível, as causas que levaram tantas experiências com adubação verde ao fracasso.

Crotalária

Uma consideração à respeito dos fatores envolvidos no desenvolvimento das plantas leguminosas, sua decomposição e a utilização de seus resíduos, explicará rapidamente as falhas da adubação verde em incrementar a produção da cultura subsequente, além de colocar um limite às esperanças exageradas de repetir os resultados conseguidos na Alemanha, que foram devidos a diversos fatores favoráveis, inclusive o clima. A cópia ao pé da letra dos experimentos de Shultz-Lupitz não pode funcionar noutros locais, a menos que se reproduzam as condições edáficas e climáticas do Norte da Alemanha.

Os fatores mais importantes na adubação verde são: 1. o conhecimento do ciclo do nitrogênio relacionado com a agricultura na região; 2. as condições necessárias para um rápido desenvolvimento das plantas assim como das necessidades para a formação de abundantes nódulos nas raízes das leguminosas; 3. a composição química da leguminosa no momento em que ela é incorporada; 4. as condições do solo no momento em que está ocorrendo a decomposição. Esses quatro fatores precisam ser estudados antes da exploração da adubação verde num determinado local.

O ciclo do nitrogênio

A importância do conhecimento do ciclo do nitrogênio em relação à agricultura da região é um fator ao qual, muito pouca atenção tem sido dispensada. Como será demonstrado com mais detalhe no capítulo XIV, o potencial da adubação verde só será totalmente explorado, quando soubermos em que período do ano a acumulação de nitrato ocorre, como essa acumulação se relaciona com as práticas agrícolas locais, e quando esses nitratos podem ser perdidos por lixiviação ou por outros meios. Se uma cultura não realiza todo o uso potencial do nitrato, essa preciosa substância deverá ser imobilizada através de uma leguminosa, ou através de ervas invasoras ou mesmo algas, mas nunca deverá ser deixada (o nitrato, N.T) à sua própria sorte. Deverá ser assimilado pela cultura, ou armazenado numa outra planta.

Feijão de porco

Condições do solo

As condições do solo necessárias para um bom desenvolvimento das leguminosas usadas como adubo verde ainda não foram suficientemente estudadas. Clarke informou que em Shahjahanpur, na Índia, havia vantagem na aplicação de uma pequena quantidade de esterco animal antes do plantio da leguminosa. O efeito é o estímulo ao desenvolvimento e à formação de nódulos de forma marcante. Mais ainda, o adubo verde quando incorporado sofre uma decomposição mais rápida do que nos casos em que não é utilizada essa adubação com esterco. Também pode ser que além da ação estimulante, com relação à nodulação, essa adubação orgânica poderia colocar em pleno funcionamento a associação micorriza, que sabemos ocorrer em diversas leguminosas. Essa associação é um fato que tem sido completamente negligenciado na adubação verde. Não há qualquer referência à micorriza na última citação da edição da excelente monografia de Waksman (pp. 208-214) sobre o húmus. Sem dúvida, a micorriza também terá a sua importância reconhecida no que concerne a utilização do húmus deixado pelas leguminosas.

A ponte viva existente entre o húmus dos solos e a planta precisa ser apropriadamente tratada, ou a nutrição da cultura que desejamos produzir, certamente sairá prejudicada.

Composição química da leguminosa

Na medida em que avança o crescimento da leguminosa, sua composição química altera-se consideravelmente: o material incorporado ao solo para ser decomposto produzirá resultados diferentes, caso trate-se de uma planta jovem, ou de uma planta já madura. Waksman e Tenney resumiram os resultados de uma planta típica usada para adubação verde (centeio) colhido em diferentes períodos de seu desenvolvimento. Quando as plantas são jovens, elas se decompõem rapidamente: grande parte do nitrogênio é liberado na forma de amônia e torna-se disponível às plantas. Quando as plantas estão maduras elas se decompõem muito mais lentamente: não há suficiente nitrogênio para a decomposição, então os microorganismos utilizam o nitrato do solo para compensar essa deficiência. Em vez de enriquecer o solo a nitrogênio, a decomposição leva a um empobrecimento temporário. A tabela 5 resume esses dados fundamentais.

Tabela 5Velocidade na decomposição de plantas de centeio em
diferentes estágios de desenvolvimento. (waksman e Tenney)

Dois gramas de matéria seca decomposta em 27 dias

Estágio de desenvolvimentoCO2 liberadoNitrogênio liberado como amôniaNitrogênio consumido do meio

mg Cmg Nmg N
Plantas com 25-35cm
de altura
286,822,20
Antes do espigamento280,43,00
Antes do floresciment199,507,5
Plantas quase maduras187,908,9

A quantidade de húmus que resulta da decomposição de uma adubação verde também depende da idade das plantas. Plantas jovens, que contêm pouca lignina e celulose, produzem poucos resíduos na forma de húmus. As plantas maduras, por outro lado, têm um alto teor de celulose e lignina produzindo grandes quantidades de húmus. Essas diferenças são apresentadas na tabela 6.

Através desses dados, concluímos que se quisermos empregar a adubação verde com o intuito de aumentar rapidamente os nutrientes do solo, deveremos incorporar a planta enquanto esta for jovem; se o nosso objetivo for o de aumentar o teor de húmus nos solos, deveremos esperar até que a planta utilizada atinja o seu ponto máximo de crescimento.

Cobertura de solo

Condições do solo

As condições em que se encontra o solo após a incorporação da adubação verde, não são menos importantes que a composição química da própria planta. Os microorganismos que decompõem os adubos verdes necessitam de quatro condições: 1. nitrogênio combinado e minerais nas quantidades suficientes; 2. umidade; 3. ar; 4. temperatura adequada. Esses fatores devem estar disponíveis simultaneamente.

O fator que mais frequentemente causa problemas é a pobreza dos solos, os quais não dispõem, nem de suficiente nitrogênio combinado, nem de outros minerais. Ocorre então, que o efeito da incorporação de um adubo verde na cultura subsequente dependerá da fertilidade do solo. Se o solo estiver numa condição insatisfatória de fertilidade, a maior parte do nitrogênio combinado disponível será imobilizada para a decomposição do adubo verde; a próxima cultura sofrerá deficiências; a adubação verde será, então, um fracasso temporário. Se, no entanto, o solo for fértil ou então incorporarmos húmus fresco, juntamente com a adubação verde, estaremos fornecendo a quantia extra de nitrogênio requerida para a decomposição, e a cultura subsequente não será afetada. A fertilidade do solo dá ao agricultor, neste como em muitos outros casos, uma flexibilidade considerável. Muitas coisas podem ser realizadas quando se dispõe de um solo fértil, as quais seriam impossíveis se o solo em questão não fosse de boa fertilidade. Uma boa reserva de fertilidade será sempre um fator fundamental para adubação verde.

TABELA 6Formação de húmus durante a decomposição das plantas de centeio em diferentes estágios de desenvolvimento. (Waksman e Tenney)

Composição químicaInício da decomposição*Período final da decomposição**

Antes do espigamento


mgmg% original
Matéria orgânica total
insolúvel em água
7,6452,01527,0
Pentose2,05038018,5
Celulose2,61061023,4
Lignina1,18075063,6
Proteína insolúvel em água81625331,4

Plantas quase maduras

Matéria orgânica total
insolúvel em água
15,1148,77058,0
Pentose3,928155439,5
Celulose6,2622,76644,2
Lignina3,4033,01988,7
Proreína insolúvel em água181519286,7
* 10g de material (matéria seca) para plantas jovens e 20 g para plantas maduras
** 30 dias para plantas jovens e 60 dias para plantas maduras.

Como a decomposição de uma adubação verde é realizada pelos microorganismos do solo, esse processo é interrompido se o teor da umidade desce abaixo de um determinado nível.

Por outro lado, se houver insuficiente fornecimento de ar, devido às intensas chuvas após a incorporação, ou devido a uma incorporação muito profunda, uma flora anaeróbia rapidamente se desenvolverá, a qual buscará, no subsolo, as suas necessidades de oxigênio. As valiosas proteínas serão atacadas e seu nitrogênio liberado sob a forma de gás. As reações químicas da turfa ou dos pântanos é semelhante àquela dos primeiros estágios de uma pilha de húmus manejada corretamente. Esse fato, frequentemente ocorre sob as condições das monções e talvez seja uma das razões a explicar os insucessos da adubação verde em regiões tropicais.

Finalmente a temperatura é importante em países como a Grã-Bretanha, que possuem um inverno bem caracterizado. Nestes países, a adubação verde deverá ser incorporada durante o outono antes de que os solos tornem-se muito frios. Dessa forma os primeiros estágios da decomposição podem ser completados antes que o inverno chegue.

O emprego da adubação verde poderá ser, agora, estudado. De forma geral, podemos ter três classes: 1. a conservação do nitrato acumulado; 2. a produção de húmus e 3. a combinação de ambos. (Discussão desenvolvida no capítulo seguinte do livro)