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Secador solar

Existem muitos tipos e projetos de secadores solares, mas todos eles partem do mesmo princípio: ficar exposto ao sol para esquentar o ar dentro da estrutura, fazendo-o circular para diminuir a umidade.

As diferenças, entretanto, estão no tipo de coisa que se quer secar. Por um lado, já vi aconselharem secar ervas medicinais à sombra. Por outro, muitas frutas e as sementes em geral se secam ao sol.

Assim, cada modelo tem suas vantagens, desvantagens e usos.

Num secador que recebe luz solar direta, a bandeja está dentro do próprio coletor. Eu só conhecia o modelo com uma bandeja, mas procurando exemplo para essa postagem, descobri que podem ter várias.

Estufa com estrutura geodésica de bambu para secagem natural

Já num secador onde os objetos a serem secos não pegam sol, temos geralmente duas partes: o coletor, que recebe a luz solar para esquentar o ar, e o armário, onde ficam as bandejas.

Secador solar que construí

Modelo OMY

Em ambos, é preciso ter uma entrada de ar na parte mais baixa e uma saída de ar na parte mais alta. É por isso que os coletores costumam estar inclinados.

Veja a figura abaixo e acompanhe o funcionamento: os raios solares incidem no coletor, atravessam o vidro (3) e encontram uma superfície (geralmente pintada de preto para refletir menos). Nesse momento, a energia eletromagnética se transforma em energia térmica. O ar em contato com a chapa do coletor (2), então, esquenta. O ar aquecido diminui sua densidade e sobe por convecção natural. Assim, ele passa pelos alimentos (4) e retira sua umidade, saindo por fim, pela abertura de exaustão (5). Como o ar aquecido sobe, ele puxa o ar frio de fora que entra por baixo (1) criando um ciclo que se mantém sozinho enquanto houver sol.

Às vezes, é o caso de instalar no secador uma ventoinha e/ou uma resistência para aquecimento. Esses são chamados secadores híbridos: eles aproveitam o sol, mas dependendo do clima, podem receber uma ajudinha.

Daria pra dizer que se todo o processo for movido por eletricidade ou fogo, então temos um desidratador.

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Mesa dobrável

Ter um mesa dobrável é muito prático: a gente deixa ela num canto, sem ocupar espaço, mas apoiando algumas coisinhas, e quando precisar, é só abrir as asas.

Não tem muito mistério para construir essa mesa. Do jeito que fiz, as peças têm basicamente duas medidas: tábuas de 80cm x 18cm e ripas de 6cm de largura que tu vais cortando para fazer os pés.

E aqui o projeto feito no FreeCAD (software livre de código aberto):

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Banco de praça

Foi engraçado pra mim pensar que o nome do móvel para sentar que estava fazendo se chamava “banco de praça”. Pois é, ninguém vê esse objeto na sala de estar das amizades (mas poderia estar em qualquer lugar) e todo mundo sabe o que é quando se usa esse nome.

Aí está o projeto 😛

Toda a madeira é eucalipto. A estrutura básica foi feita de barrotes de 5 x 5cm e um caibro de 13,5 x 5cm. O assento e encosto são tábuas de espessura 2,5cm, cortadas em ripas de 5cm.

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Caixinha de madeira

Estava querendo experimentar com o encaixe tipo dedos. Aproveitei umas ripas que estavam sobrando aqui e fiz uma caixinha.

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Guarda-roupas

Outro dia vi um pedido num grupo de Maquiné: “alguém sabe de um marceneiro pra fazer um guarda-roupas?” Eu não conhecia, mas bem que poderia tentar fazê-lo. E me ofereci.

A galera do Amó e eu combinamos valores (sem valor; eita! e agora?), gasolina (ida e volta de Rolante), comida (todas as refeições) e data. O material, decidiram usar pinus tratado (tábuas de 2,7m por 20cm, de 2mm de espessura). Algo que facilitou bastante foi já terem um par de portas. Assim, o projeto seria adaptado ao tamanho delas. O guarda-roupas ficou com 2m de altura por 1,20m da largura e 40cm de fundo. Para o forro, usamos aqueles forrinhos de pinus comum nas madeireiras.

Amó, Lugar de Bem Viver

O AMÓ é um espaço cultural de arte e sustentabilidade, situado entre as margens do Rio Maquiné e a Reserva Biológica da Serra Geral. O espaço se propõe a investir em pesquisa e criação artística, produção de eventos culturais, assim como a promoção de cultura agroecológica e economia solidária.

Nessa minha “carreira” de marceneiro itinerante, sempre preciso de lugar pra ficar. Lá no Amó, tive a oportunidade de usar a casa de visitantes, com seu capricho nos detalhes e uma vista incrível da linha Pinheiro de Maquiné.

Trabalhei por um dia e meio. Uma manhã para conceber e prever os passos da construção. Uma tarde para ajeitar as madeiras, cortar e verificar o projeto. E mais uma manhã para finalizar e consertar tudo que não tinha conseguido prever.

Eis a vista da casinha onde fiquei:

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Mesinha de centro

Este é mais um móvel usando os restos de pinus que estão no terreno. Pelo diâmetro das toras que achei, ainda não consegui fazer tábuas. Então, uso umas de eucalipto para as superfícies planas maiores. Para a mesinha, fiz as perninhas de pinus, das sobras da bancada da oficina. O encaixe de rabo de andorinha foi uma experiência. Porém, na curva do tampo, o corte para o encaixe deixou uma pontinha frágil. Apontarei esse detalhe nas fotos. Tive que reforçar ali com um prego. A junção das tábuas do tampo foi feita com um forrinho de pinus (não pode sentar em cima!).

E aqui o detalhe que fragilizou o encaixe:

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Bancada para oficina

Logo que cheguei em Rolante, precisava de uma bancada de trabalho. Inclusive já tinha algo para consertar: um motor estacionário à gasolina usado no triturador. Como meu projeto principal nesse momento é a compostagem usando material da floresta, ter esse motor funcionando era essencial.

Lembrei de um livro antigo onde havia um projeto de bancada e fui lá dar uma olhada para tirar inspiração. E foi muito útil. Deixo abaixo a referência e um resumo das dicas que estão no livro.

How to make woodwork tools, de Charles H. Hayward.

  • Uma bancada precisa ser sólida. Ao tabalhar com peso e dando pancadas, ela vai tentar torcer e tombar.
  • Use madeira dura e faça junções justas.
  • Use “caibros” (peças de seção retangular posicionada na vertical) para fazer a base onde o tampo será apoiado. Eles evitarão que as tábuas do tampo enverguem, assim como darão firmeza às pernas da bancada.
  • Evite colocar gavetas ou prateleiras embaixo da bancada. A maioria dos trabalhos na parte de cima vão chacoalhar a mesa e bagunçar tudo. Além disso, pode ser necessário prender alguma ferramenta à bancada. Dependendo da posição de uma gaveta, ela pode atrapalhar.
  • Evite fixar a bancada. Movê-la vai lhe permitir trabalhar com peças grandes.
  • Num dos lados, faça o tampo coincidir com a lateral da base para poder montar uma morsa.
  • Sugestões de tamanho. Comprimento mínimo: 1,5m. Largura: 55cm. Altura: 80cm. Espessura do tampo: 5cm.

A maioria dessas recomendações consegui seguir. Apenas uma, que é muito importante, ficou de fora: a madeira dura. Como tem muito pinus dando sopa aqui no terreno, “usei o que tinha”. Para o tampo e as juntas da base, usei eucalipto.

Na minha pouca experiência, arrematar as juntas com pregos é melhor que parafuso. No final, a qualidade do encaixe é que vai segurar o tranco.

Abaixo está o processo de construção.

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Sofá de bambu

Lá em 2018, eu havia colhido umas varas de bambu verde gigante (Bambusa vulgaris). Na época, não conhecia muito as espécies e como era um bambu grosso, resolvi colher e guardar para depois ver qual seria sua melhor utilidade. Acabei descobrindo que, como outros Bambusas, ele tem bastante amido e, por isso, as brocas fazem a festa. Alguns artigos científicos dizem que essa espécie é boa para fazer carvão e produzir calor pela queima.

No entanto, sendo o que estava na mão, resolvi juntar com mais umas taquaras (Bambusa tuldoides) e fazer um sofá.

Com o bambu grosso, fiz os “esteios”. Com os finos, as “linhas”. Para não precisar colocar diagonais (pois com estruturas retangulares é sempre bom travá-la com diagonais), fiz a junção da seguinte forma: com a serra-copo e a grosa, abri um furo do diâmetro do bambu fino. Depois de enfiá-lo no buraco, fiz outro furo, só que menor, na transversal e enfiei um prego grosso.

Detalhe da junção

Quanto melhor a ponta do bambu fino se adequar à parede interna do bambu grosso, mais firme vai ficar a junção. Como se pode ver na foto acima, não me empenhei muito em dar forma à ponta. Usei o corte reto. Mesmo assim, ficou muito bom. É importante que todos os furos estejam bem justinhos: tanto o bambu quanto o prego precisam entrar apertados. Arredondei a ponta do prego para evitar acidentes.

Nas laterais, usei umas ripas mais robustas do bambu grosso e prendi com parafuso. Ali foi preciso botar uma diagonal, senão o sofá não aguentaria o senta-e-levanta do dia a dia.

Para fazer o encosto, percebi uma coisa interessante: o ângulo seria função da posição dos três bambus da parte de trás. Um ficava enfiado no meio do “esteio” e os outros dois ficavam um de cada lado. Se os bambus forem colocados perto, o encosto ficaria mais inclinado. Se eles fossem colocados afastados, o encosto ficaria mais em pé. E para o assento, usei ripas: parti os tuldoides em quatro e amarrei nas “linhas”.

As medidas eram mais ou menos as seguintes: altura do assento 45cm, largura do assento 50cm, altura do encosto 50cm, comprimento 2m.

Até 2022, não precisei fazer nenhum ajuste no sofá 🙂

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Tábua pra corte

A uva do japão (Hovenia dulcis) é uma árvore exótica e invasora que tem muito em Maquiné (RS). De porte médio, costuma ter uns 10-15 metros, suas flores são melíferas, os frutos doces dizem que dá para fazer açucar mascavo e refri caseiro. Apesar de ela se multiplicar rapidamente e tomar conta de certas áreas, ameaçando a flora local, sua madeira é muito boa: já usei para constuir minha casa (esteios e linhas roliços ou caibros e tábuas retangurales), pra fazer bancos e para lenha.

Agora foi a vez de ir para a cozinha!

Fiz uma tábua de corte bem simples para experimentar. Ainda estou descobrindo como ela se comporta com a plaina e a tupia.

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Janelas

Em outubro de 2021, passei uma semana no Sítio Cambucá (RJ) ajudando o Bruno a construir umas janelas. As madeiras que tínhamos eram um recicle e logo ao fazer os primeiros cortes, percebemos que estavam torcidas. Então, perguntei ao Bruno:

– E se fizéssemos os encaixes tortos também, compensando os ângulos?

E ele me respondeu:

– Vamos fazer como se tudo estivesse reto. Assim você aprende a fazer o fácil e o difícil também.

Então, vamos lá!