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Viveiros Educadores

Esse é o nome da cartilha publicada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2008 que visa promover os viveiros como espaços para educação ambiental crítica.

Viveiros Educadores são espaços de produção de mudas de espécies vegetais onde, além de produzi-las, desenvolve-se de forma Intencional, processos que buscam ampliar as possibilidades de construção de conhecimento, exercitando em seus procedimentos e práticas, reflexões que tragam em seu bojo, o olhar crítico sobre questões relevantes para a Educação Ambiental como: ética, solidariedade, responsabilidade socioambiental, segurança alimentar, inclusão social, recuperação de áreas degradadas entre outras possibilidades.

A primeira parte comenta sobre a equipe pedagógica, o projeto político pedagógico e apresenta as seguintes possíveis abordagens para esse tipo de viveiro:

  • O viveiro e a escola
  • Segurança alimentar
  • Inclusão social
  • Profissionalização
  • Arborização urbana
  • Instrumento de organização social
  • Pesquisa e desenvolvimento
  • Comércio solidário
  • Realização de parcerias e a sustentabilidade do viveiro

A segunda parte fala sobre as questões técnicas da implementação e do funcionamento de um viveiro.

Para adequar e compatibilizar os procedimentos técnicos adotados em um viveiro educador às necessidades demandadas na construção de sociedades sustentáveis, é importante o estudo, seleção e emprego de tecnologias apropriadas, que utilizem racionalmente os recursos naturais e energia disponíveis, causando o mínimo impacto ao meio ambiente e gerando ao longo do processo benefícios sociais e ambientais.

  • Escolha do local, levando em conta água, relevo, luminosidade, vento, acesso.
  • Estruturas do entorno: galpão, sementeira, pátio.
  • Coleta de sementes e seu armazenamento
  • Atividades diárias: preparo do substrato, semeadura, repicagem, capina, manejo de enfermidades, irrigação, rustificação, transporte
  • Plantio da muda em campo: preparação do berço, espaçamento, coroamento, adubação
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Water retention landscapes

Paisagens que retêm água, palestra em inglês de Zach Weiss.

A regeneração do solo e a restauração do ciclo da água estão intimamente ligados.

Soil regeneration and water cycle restoration are intimately linked. Protégé of revolutionary Austrian farmer Sepp Holzer, Zach Weiss from Elemental Ecosystems speaks of developing water retention landscapes to regenerate ecosystems. Elemental Ecosystems currently has projects in 13 nations on 4 continents, spanning a wide range of climates, contexts, landforms and ecosystems.

Palestra de 2017, apresentada no Simpósio de Solos Vivos de Montreal, Canadá.

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Retomada Guarani do Campo Molhado

Zine sobre a história da retomada de terras Mbya Guarani no Campo Molhado, nas montanhas entre Maquiné e Rolante, no Rio Grande do Sul.

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Poda: uva do japão

Um dia vou fazer uma música em homenagem à essa árvore maravilhosa. Dessa vez, estive testando com poda e a uva do japão (Hovenia dulcis) se mostrou excelente!

É bom lembrar que ela perde as folhas no inverno (caducifólia), é exótica e invasiva. Se deixar dar frutos, se espalha loucamente. Masss… se usarmos ela para trazer biomassa para nossos canteiros ou composteiras, então não há problemas. Pelo contrário, tenho a impressão que ela até gera mais biomassa que o eucalipto.

Quando fiz poda apical (tirando todo o topo) de um eucalipto branco (qual?) com uns 15 cm de diâmtro, ele rebrotou lá em cima, com um monte de galhos fininhos (esqueci de fotografar). Mesmo um ano depois da poda, a àrvore tá lá formando um chumaço não muito significativo. Agora, podei a uva do japão em julho. Em janeiro ela estava frondosa, com rebrotes de cima até embaixo, galhos da grossura de um cabo de vassoura, tenros o suficiente para picotar facilmente no facão, por exemplo.

Meu próximo experimento será a criação de uma pequena área de floresta focada na poda para alimentar um sistema de compostagem de médio porte. A ideia é plantar uva do japão, aroeira vermelha, ora pro nobis, orelha de onça (Tibouchina heteromalla), guandu, urtigão (Urera baccifera), margaridão. São quase todas pioneiras, de crescimento rápido, umas mais altas, outras mais baixas.

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Tábua pra corte

A uva do japão (Hovenia dulcis) é uma árvore exótica e invasora que tem muito em Maquiné (RS). De porte médio, costuma ter uns 10-15 metros, suas flores são melíferas, os frutos doces dizem que dá para fazer açucar mascavo e refri caseiro. Apesar de ela se multiplicar rapidamente e tomar conta de certas áreas, ameaçando a flora local, sua madeira é muito boa: já usei para constuir minha casa (esteios e linhas roliços ou caibros e tábuas retangurales), pra fazer bancos e para lenha.

Agora foi a vez de ir para a cozinha!

Fiz uma tábua de corte bem simples para experimentar. Ainda estou descobrindo como ela se comporta com a plaina e a tupia.

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Experimento: Recuperação de área de pasto

Passei dois dias no sítio de uma amiga em Anitápolis-SC (novembro/2020). É uma área com relevo bem acidentado que foi transformada em pastagem. À medida que iam baixando as árvores, queimavam os troncos em carvoeiras para produzir carvão. Em seguida, veio o gado.

Observando os morros em volta, dava para ter uma noção de como seria a floresta caso deixássemos o mato tomar conta de novo.

Essa é a vista a partir de um pequeno platô. Uns 15 metros à frente já começa uma descida íngreme. O lugar é cheio de morrinhos.
Logo atrás do lugar de onde tirei a foto acima, tem uma floresta. Imediatamente após o início das árvores começa outra descida íngreme. Lá no fundo, deveria passar um riacho.
E aqui, a foto olhando para o lado. A floresta à direita, o platô no meio e a descida íngreme na esquerda.

Não sei dizer ao certo qual é a espécie de pasto ali, mas chutaria braquiária, que é bem comum. Deu pra notar também que uma das primeiras plantas que apareceram é aquela samambaia dura e chata de roçar, a Pteridium aquilinum.

Sendo uma planta extremamente adaptável, coloniza rapidamente áreas disturbadas, razão pela qual integra numerosas sucessões ecológicas nas etapas de degradação, em especial após incêndios florestais e queimadas de vegetação, sendo extremamente resistente aos incêndios florestais. Apresenta comportamento invasor em diversas regiões, incluindo algumas nas quais é nativa.

Prefere solos profundos e bem drenados, em especial solos arenosos em zonas frescas com substratos acidificados por serem pobres em bases ou ligeiramente siliciosos.

(wikipedia.org)

Ou seja, ela tá ali pra trazer de volta a biodiversidade: vai proteger o solo do sol e aos poucos vai produzindo matéria orgânica. Isso favorece o aparecimento das árvores pioneiras que por sua vez vão ajudar as próximas árvores da sucessão ecológica.

Sucessão ecológica. Imagem de anama.org.br

Quando estive lá, já haviam plantado algumas plantinhas: ingá, araucária, abacate, ervas, gengibre, vários cítricos não identificados. A maioria havia sobrevivido às geadas do inverno passado. Porém, elas estavam totalmente desprotegidas: não havia nada acima nem abaixo, nem cobertura pra gerar sombra, nem cobertura pro solo. Sem falar do vento.

Era assim que estavam as mudas quando visitamos no final de novembro/21

Pensando na recuperação daquela área de pastagem, a ideia foi usar o que tínhamos à mão: mudas já plantadas, o próprio pasto roçado há pouco, água, uma floresta ao lado e algumas sementes e estacas de amora que eu tinha no carro.

No caminho para o platô do pomar, notei vários troncos jogados pelo campo, cobertos com palha e em decomposição. Juntamos vários sacos dessa matéria descomposta, madeira esfarelando, úmida — húmica. Foi estranho notar que não havia minhoca em nenhum lugar onde mexemos, apenas larvas (tipo coró) e besouros.

Essa madeira podre serviria de primeira cobertura do solo, no estilo do plantio-sem-cavar, de Charles Dowging (gracias ao pessoal do Rancho Sem Nome, lá de Rolante-RS, por me indicar os materiais desse cara!).

Como segunda camada, para ajudar a manter a umidade da primeira e dar continuidade ao processo de decomposição, assim como para atrair a vida animal do solo, juntamos vários sacos de capim recém-cortado.

E para criar um delimitador para essa pequena ilha de vida ao redor das mudinhas, buscamos na floresta quais eram as árvores já secas e em estágio de decomposição. Com a motosserra (ou seja, com a ajuda do aço, do plástico e da gasolina), baixamos uma quantidade generosa de material orgânico [1]. Todas essas árvores já estavam mortas. Nós aceleramos um pouco sua viagem em direção ao solo. Até daria também para tirar algumas vivas, cortando troncos inteiros ou podando na área já desenvolvida da floresta em troca de cobrir a parte desprotegida e sem diversidade do descampado. Entretanto, não tínhamos gente e energia para esse tipo de empreitada. Dessa vez, focamos em baixar somente as árvores mortas.

Por cima desse cercadinho de troncos, também colocamos bastante capim seco, de novo pensando na umidade, logo, na decomposição, logo, na multiplicação da vida do solo.

E ao lado das mudinhas, ainda dentro da área dos troncos, plantamos algumas sementes de feijão-guandú, que sempre carrego comigo. Esse é um feijão de árvore, que cresce rápido, aceita poda (adubação verde), dá muitas flores (atrai insetos) e sementes, e ajuda a fixar nitrogênio no solo.

Na galeria abaixo, temos algumas fotos do processo.

Outro experimento que fizemos foi aproveitar algumas árvores que haviam sido cortadas para formar o pasto e depois tiveram o cepo queimado para não rebrotarem e plantar ali dentro, no miolo daquela parte apodrecida do tronco que vira raiz.

Infelizmente, não conseguimos proteger as mudinhas em si. Cobrimos o solo, mas o vento, o sol e, mais pra frente, a geada vão seguir castigando as bichinhas. A vantagem desse plantô onde trabalhamos é que ficava na beira de uma floresta, o que, esperamos, vai dar uma amenizada nas intempéries.

E no final, a galera cansada, mas sorridente.

Notas:

[1] Uma vez li num livro sobre Pastoreio Racional Voisin uma diferenciação entre “material orgânico”, que era definido com “restos de seres vivos”, e “matéria orgânica”, definida como “húmus estabilizado”. Não precisamos concordar com isso, mas gostei de ter uma forma de diferenciar aquilo que a gente já pode usar (adubo) nas plantas e o que ainda precisa decompor.

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Energia solar para comunicação

Há tempos que o pessoal de rede malha (mesh network) vem usando energia solar para alimentar seus modems e repetidores. O objetivo é criar uma infraestrutura de comunicação autônoma e comunitária, geralmente em lugares afastados.

Para aprender os fundamentos físicos da comunicação sem fio e dimensionar os equipamentos necessários para uma rede comunitária, o livro “Rede sem fio para o mundo em desenvolvimento” é umas das fontes mais completas e didáticas que conheço.

E se você está precisando calcular quantos painéis serão necessários para manter seu sistema de comunicação funcionando ininterruptamente na sua região do planeta, o pessoal do Coolab montou uma Calculadora Solar. Aqui ensina como usar.

Percebemos que uma das maiores barreira de adoção da energia solar está na dificuldade de acesso ao conhecimento a respeito de quais equipamentos são necessários para esses sistemas e como dimensioná-los.

Por isso com apoio da APC desenvolvemos um aplicativo web que busca ajudar da forma mais intuitiva a técnicos e não-técnicos a dimensionarem seus próprios sistemas.

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Ilusão

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Projeto Sana

Uma amiga me contou sobre o Projeto Sana com tanto entusiasmo que achei muito válido fazer uma postagem simplesmente copiando o que está no site oficial.


A Causa

1,6 milhões de mulheres
vivem sem banheiro em casa.

O que fazemos

Sana constrói banheiros
para promover saúde,
educação e empoderamento.

Como você viveria se não tivesse um banheiro em casa?

Essa é a realidade de 1,6 milhões de mulheres no Brasil.

A maior parte dessas mulheres vivem em comunidades isoladas, onde o saneamento convencional simplesmente não chega. Em alguns estados, elas correspondem a mais de 9% da população feminina.

Ao fazer suas necessidades fisiológicas a céu aberto, essas mulheres têm sua saúde e segurança expostas em media 1800 vezes por ano.

Pelo menos meio milhão delas deve estar, nesse exato momento, vivendo um ciclo menstrual. 

Informações de nov/21

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Juçaí

Outro dia, estive num sítio perto de Miracatu-SP, bem enfiado na Mata Atlântica. Me disseram que no passado, grande parte da área de morros e ravinas daqui era coberta de bananais, com estradas cortando a paisagem para escoamento da produção com caminhões.

O pessoal me contou também que “essas touceiras de palmeira que cê tá vendo aí são juçaís”. Foi então que percebi que as centenas de palmeiras que eu estava vendo na floresta secundária, na verdade, nasciam de touceiras e por isso havia me enganado ao pensar que se tratavam de juçaras (Euterpe edulis).

“Foram plantadas pelo antigo dono para exploração de palmito. Na teoria, evita de cortar as juçaras, que não crescem novamente quando baixadas para tirar o palmito, e aproveita que tá sempre saindo novos caules da touceira. Só que…”

E é aí que, pra variar, começa o problema que a solução gera: rola uma hibridização do juçaí com a juçara, freando a propagação das juçaras, que estão em risco de extinção. Segundo o blog Nossa Flora, Nosso Meio:

Pode ocorrer o cruzamento entre essas espécies ocasionando em uma espécie híbrida que forma touceiras e produz mais frutos e, dessa forma, competir com a juçara na dispersão de seus frutos e ainda causar poluição genética.

Alguns produtores revelam que a espécie híbrida é estéril, mas ainda não é consenso entre pesquisadores.

Acaba que uma touceira de juçaí produz muito coquinho, o que faz com que ela se espalhe rapidamente, tornando-a uma espécie invasora.

Uma das coisas que fui fazer lá no sítio era justamente cortar árvores para abrir mais espaço para entrar sol (famoso manejo). Botamos abaixo várias touceiras e ainda conseguimos palmito.