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Eficiência da fotossíntese

Quando me disseram que as plantas são os melhores paineis solares que já foram inventados, achei uma boa frase de efeito e entendi a provocação. Porém, resolvi ir atrás da informação sobre a eficiência do processo da fotossíntese para a conversão de radiação solar em glicose. Se olharmos analiticamente, só para o processo termodinâmico, é chocante: as plantas conseguem aproveitar uma quantidade ínfima da energia que vem do Sol.

Segundo a wikipedia, a eficiência do processo fica em torno de 1 a 2%. Se for levado em consideração a produção de exsudatos usados na troca por nutrientes minerais com a microvida do solo, aí esse valor pode subir para uns 5%.

Imagina a energia imensa que vem do sol pra produzir tamanha diversidade de vida (vegetal e todo o resto) com tão pouco aproveitamento!

E pensando em melhorar (!!!) mais uma vez a natureza, cientistas descobriram uma forma de aumentar em 15% esse valor, injetando uma proteína específica de uma planta da família das Arabidopsis em cultivares tradicionais (de monocultivo). E a desculpa é a de sempre: “a população segue crescendo, vai acabar a comida”. Agora, por exemplo, valorizar a agricultura familiar e facilitar o acesso à terra para plantar comida nem passa pela cabeça desses especialistas. Manter as florestas de pé ou plantar árvores em grande escala, menos ainda.

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Mais uma solução tecnológica?

Será que o Mercado vai trazer uma solução para a destruição ambiental, as mudanças climáticas ou melhorias na qualidade da comida, água e ar? Seria bom, né, ser um consumidor, só esperando, e em algum momento poder comprar a engenhoca salvadora (ou ganhar do governo ou de alguma ONG). Pois é…

Não se pode encontrar a solução de um problema, usando a mesma consciência que criou o problema. É preciso elevar sua consciência.

Albert Einstein

Vejamos, por exemplo, a energia solar fotovoltaica. Os painéis pegam uma energia que está disponível de graça quase todos os dias. Tecnicamente, ela não é renovável. É apenas uma questão de escala: o sol está queimando seu combustível e uma hora vai acabar, mas, para nós, humanos, isso ainda vai demorar muito. Então, tudo bem, sempre vai ter sol.

Por outro lado, a manufatura dos paineis não é renovável. Muito pelo contrário (como com a imensa maioria dos produtos industriais). É preciso muita energia, extração de minérios (alumínio, cobre, terras raras, etc.) transporte internacional, trabalho mal pago, e por aí vai. Toda essa energia vai numa direção e não volta.

E uma vez estragado o painel, já era. Alguém vai aproveitar uns pedaços de fio, a estrutura de alumínio, uma ou outra coisinha. O resto é lixo. Para ter uma ideia, nos EUA apenas 10% é “reciclado” (que é o mesmo que “dá pra tirar algum pedacinho que sirva”). E com a explosão do consumo de placas, em alguns anos o descarte será um problema grave.

Nem renovável, nem reciclável. Sustentável?! A expressão mais correta poderia ser “energia de fonte gratuita”, o que é um ótimo chamariz. Tudo o que não se paga é bom em si mesmo, não é? Nesse caso, a gente só não paga pro sol funcionar.

Agora, imagina se o negócio não der certo. O que acontece com a engenhoca sustentável-renovável? Pergunte pras empresas de aluguel de bicicleta e patinete movidos à bateria. Pra onde foi todo aquele lixo?

O único processo sustentável, renovável, reciclável e, na maior parte das situação, crescente é a própria vida. Somente o que é vivo consegue se transformar em vida novamente, inteiramente, completamente, sempre com a ajuda de um pouquinho de areia (minerais), bastante água e muitíssimo sol.

Então, vamos plantar floresta!