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Compostagem

Howard resume a formação de húmus

Trecho do livro “The waste products of agriculture“, de 1931 (“Os resíduos da agricultura”):

Os vários passos na formação da matéria orgânica do solo são mais ou menos os seguintes. Quando os restos frescos de plantas ou animais são adicionados ao solo, uma parte desta matéria orgânica é imediatamente atacada por um grande número de microrganismos presentes. Segue-se uma decomposição rápida e intensa. A natureza destes organismos depende das condições do solo (composição mecânica e química e estado físico) e do ambiente do solo (teor de umidade, reação e arejamento, e presença de minerais disponíveis). A melhor maneira de acompanhar os processos de decomposição é medir um dos produtos finais da reação – o dióxido de carbono. A taxa de evolução deste gás depende da natureza da matéria orgânica, dos organismos que participam no processo e das condições ambientais do solo.

Logo que os constituintes facilmente decomponíveis dos restos vegetais e animais (açúcares, amidos, pectinas, celuloses, proteínas, aminoácidos) desaparecem, a velocidade de decomposição diminui e tende a estabelecer-se uma condição de equilíbrio. Nesta fase, restam apenas os constituintes da matéria orgânica de origem, como as ligninas, que sofrem uma ação lenta. Estas e as substâncias sintetizadas pelos microrganismos formam o húmus do solo e sofrem apenas uma transformação lenta durante a qual é liberado um fluxo moderado mas constante de dióxido de carbono. Ao mesmo tempo, o nitrogênio desse húmus do solo é igualmente convertido em amônia que, em condições favoráveis, é transformada em nitrato.

Portanto, fica claro que a matéria orgânica ou o húmus do solo é um produto manufaturado e que sua composição não é a mesma em todos os lugares, mas varia de acordo com as condições do solo em que é produzido. Como todos os artigos manufaturados, ele deve ser fabricado adequadamente para ser realmente eficaz. Portanto, atenção nunca é demais na sua preparação.

Albert Howard, “The waste products of agriculture” (1931)
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Inspiração

Era uma vez um Japão sustentável… pt 1

Certo dia, abri aleatoriamente o livro Agroecologia 7.0 de Sebastião Pinheiro e me deparei com uma história que me chamou a atenção. Tião comentava que a palava sustentável hoje era mais um engodo do Mercado e que nada se parecia com a sustentabilidade do Japão no período Edo.

Não consigo retomar a passagem com exatidão, mas aquela linha me fez querer saber mais. Afinal, como seria uma sociedade realmente sustentável? Como as pessoas estariam organizadas, o que elas fariam no dia a dia? Seria a cultura estagnada, a economia atrofiada, a política totalitarista? Simples é o contrário de compelxo ou de complicado? Ou quem sabe, simples seja sinônimo de diversidade, pequena escala e divisão de poder?

Obviamente que cada contexto e história produz uma realidade única. Não tem como simplesmente aplicar (sabe-se lá como) uma receita que parece ter atingido os resultados que queremos de um lugar para outro. Porém, considero inspirador conhecer as histórias de vários povos para lembrar e ter certeza que outro mundo é possível.

A tradução a seguir é a primeira parte de um resumo do trabalho do autor Eisuke Ishikawa publicado no site Resilience.org. A segunda será traduzida em breve.


Parte 1: Práticas de Reutilização e Reciclagem

Na história do Japão, o período de 265 anos entre 1603 (quando Tokugawa Ieyasu se tornou o generalíssimo ou grande “shogun” do shogunato Tokugawa) e 1867 (quando Tokugawa Yoshinobu devolveu formalmente a autoridade política ao imperador) é chamado de Período Edo. Edo é o antigo nome do que é hoje Tóquio. Este período recebeu o seu nome porque o governo feudal na época estava sediado em Edo, e não em Quioto, onde anteriormente se situava.

Durante a maior parte do Período Edo, o Japão foi fechado ao mundo, não sofreu qualquer invasão do exterior e não teve praticamente qualquer intercâmbio com outros países. Na sua maioria, foi um período pacífico, quase sem guerra dentro do país e marcou um notável período de desenvolvimento na economia e cultura do Japão.

O primeiro censo nacional, realizado por volta de 1720, indica uma população de aproximadamente 30 milhões de pessoas, que se manteve relativamente constante ao longo de todo o período de dois séculos e meio do Período Edo.

A população de Edo, na época a maior cidade do mundo, foi estimada em 1 milhão a 1,25 milhão de pessoas. Em comparação, Londres tinha cerca de 860.000 pessoas (1801) e Paris cerca de 670.000 (1802).

Atualmente, o Japão depende de importações de outros países para 78 por cento da sua energia, 60 por cento dos seus alimentos (valor calórico), e 82 por cento do seu consumo de madeira. Mas durante aproximadamente 250 anos, no Período Edo, o Japão foi autossuficiente em todos os recursos, uma vez que nada podia ser importado do exterior devido à política nacional de isolamento.

O Japão detém apenas pequenas reservas de combustíveis fósseis, como o petróleo. Segundo os registos, o carvão mineral era utilizado para fazer sal no final do Período Edo, mas a quantidade de consumo de carvão era insignificante. Olhando para este período da perspectiva atual, foi uma época interessante para uma parte da humanidade, como um período de paz e de cultura florescente. Nos últimos anos, um número crescente de japoneses começou a perceber que, durante o Período Edo, o seu país teve o que hoje reconhecemos como uma sociedade sustentável. A população era estável e a sociedade não dependia de contributos materiais do exterior. Muitos tentam agora aprender mais sobre o sistema social daquela época e aplicar a “sabedoria do Período Edo” na sociedade e na vida contemporâneas.

O novelista Eisuke Ishikawa é um dos principais investigadores japoneses sobre o Período Edo. Com referência ao seu livro “The Edo Period had a Recycling Society,” (“O-edo recycle jijo”: publicado em 1994, Editora Kodansha) introduzimos agora alguns elementos do que tornou possível esta sociedade sustentável durante 250 anos. A edição deste mês da Newsletter da JFS centra-se nas práticas de reutilização e reciclagem do Período Edo. No próximo mês iremos focar nos seus sistemas energéticos, mostrando que, na época, o Japão era uma nação que funcionava com base em plantas.

O Japão está agora promovendo esforços para reciclar produtos e materiais em fim de vida. Uma das principais motivações para isso hoje em dia é reduzir a carga sobre os aterros sanitários e evitar a liberação de dioxinas e outras emissões químicas tóxicas das incineradoras. Mas as pessoas no Japão do período Edo reciclaram objetos e materiais por outra razão: em primeiro lugar, porque tinham objetos e materiais muito limitados.

Como resultado, tudo era tratado como um recurso valioso, incluindo materiais que de outra forma seriam considerados um incômodo, tais como as cinzas. Uma vez que os bens novos eram caros e os artigos fabricados recentemente eram praticamente inacessíveis para o cidadão comum, a maioria dos bens “em fim de vida” não eram descartados como lixo, mas sim reutilizados e reciclados.

Muitos comerciantes e artesãos especializados estavam também envolvidos na reutilização e reciclagem (embora não houvesse uma palavra para reciclagem, uma vez que “reciclagem” era apenas uma parte normal da vida). Abaixo apresentamos alguns dos recicladores especializados do Período Edo.

  • Funileiros (reparadores de produtos metálicos)
    Os funileiros repararam panelas velhas, chaleiras e tachos, mesmo os tornados inúteis por buracos no fundo. Tinham técnicas especiais para utilizar foles para aumentar a temperatura dos fogos de carvão e reparar furos utilizando outras peças metálicas ou por soldadura.
  • Reparador de cerâmica
    Estes artesãos especializados colaram pedaços de cerâmica partidos com amido extraído de arroz pegajoso e aquecido para coagulação.
  • Reparador de tiras e cintas
    Até 40 a 50 anos atrás, as pessoas usavam normalmente bacias e barris de madeira para armazenar líquidos. As cubas e os barris de madeira eram feitos de ripas de madeira presas por arcos de bambu. Quando os arcos envelheciam e se partiam ou deformavam, os artesãos fixavam as cubas e os barris com novos fechos de bambu.

Havia muitos outros tipos de artesãos especializados para reparar objetos quebrados, incluindo lanternas de papel e fechaduras, reabastecer tinteiros, renovar o velho calçado de madeira japonês, moinhos e espelhos, para citar alguns. Sustentavam uma sociedade onde nada era jogado fora, mas tudo era cuidadosamente reparado e utilizado até não poder mais.

Para além dos peritos em reparações, havia outros trabalhadores especializados que recolhiam e comercializavam materiais em fim de vida.

  • Compradores de papel usado
    Estes trabalhadores compravam livros antigos, classificavam-nos e vendiam-nos a fabricantes de papel. Naquela época, o papel japonês (washi) era feito de fibras longas com mais de 10 mm, e os fabricantes de papel especializados compravam e misturavam vários tipos de papel usado para fazer uma vasta gama de papel reciclado, desde papel higiênico a papel de impressão.
  • Coletores de papel usado
    Alguns coletores eram também especializados em papel usado, mas não tinham os recursos financeiros para comprá-lo. Em vez disso, catavam e recolhiam papel usado andando pela cidade e vendiam-no a armazéns de papel usado para obterem um rendimento diário em dinheiro.
  • Comerciantes de roupa usada
    Até ao final do Período Edo, as roupas eram mais preciosas e caras do que hoje, uma vez que todas eram tecidas à mão. Diz-se que havia cerca de 4.000 comerciantes de roupa velha na cidade de Edo.
  • Compradores de ripas de guarda-chuva usadoa
    Os guarda-chuvas no Período Edo eram feitos de ripas de bambu com papel colado. Os compradores de ripas de guarda-chuva usadas compravam e coletavam guarda-chuvas antigos e os vendiam para armazéns especializados. Nos armazéns, os trabalhadores retiravam o papel oleado das ripas, reparavam as estruturas e depois outros trabalhadores eram contratados para colar papel oleado novo para fazer novos guarda-chuvas. A propósito, o papel oleado dos guarda-chuvas usados era removido e vendido como material de embalagem.
  • Compradores de barris usados
    Quando os barris ficaram vazios, comerciantes especializados os compravam, coletavam e vendiam para armazéns especializados. O Japão tem hoje sistemas de coleta privada para garrafas de cerveja e saquê (vinho de arroz japonês), e as proporções de coleta/reciclagem são altas. Alguns dos comerciantes de garrafas usadas de hoje são descendentes daqueles que conduziram este negócio no Período Edo.
  • Coletores cantores
    Alguns comerciantes andavam pela cidade, cantando, “vamos trocar, vamos trocar”, e ofereciam pequenos brinquedos e doces às crianças em troca de pregos velhos e outras peças de metal que as crianças encontravam enquanto brincavam.

Estes são alguns dos muitos tipos de coletores e recicladores do Período Edo que tornaram possível para a sociedade utilizar todos os seus bens e materiais por longos períodos de tempo e reduzir a quantidade de novos materiais necessários.

Para concluir, aqui estão alguns dos exemplos mais incomuns de recicladores do Período Edo.

  • Compradores de cera de vela
    As velas de cera eram um bem precioso. Os compradores especializados coletavam os pingos das velas usadas.
  • Compradores de cinzas
    A cinza é um subproduto natural da queima de lenha. Durante o Período Edo, os compradores coletavam cinza e a vendiam aos agricultores como fertilizante. As casas comuns tinham uma caixa de cinzas, os banheiros públicos e as lojas maiores uma “casinha de cinzas” para armazenamento até que os compradores passassem.

O professor Takeo Koizumi, da Universidade de Agricultura de Tóquio, escreveu em sua “História Cultural das Cinzas” (“Hai no bunkashi”) que embora outras culturas no mundo também usassem cinzas, até onde suas pesquisas mostram, o Japão é o único país onde os comerciantes de cinzas compram cinzas da cidade para uso em outras partes da sociedade.

  • Urina humana descartada
    Até cerca de 1955, os resíduos humanos eram a fonte mais importante de fertilizantes para os agricultores no Japão. Em muitas partes da Europa, antes da construção de linhas de esgoto, o resíduo humano era simplesmente jogado da janela e a praga ocorria repetidamente devido às más condições de higiene. Em contraste, no Japão, o lixo humano era tratado como um recurso valioso naqueles dias.

Os agricultores visitavam regularmente as casas com as quais tinham contratos e pagavam dinheiro ou ofereciam legumes que tinham cultivado, em troca dos resíduos para serem usados como fertilizante. À medida que os canais de distribuição se tornaram mais estabelecidos, surgiram armazéns e varejistas especializados nos restos das latrinas.

Proprietários com muitos inquilinos ganharam bom dinheiro com o resíduo produzido em suas instalações. Há até mesmo histórias de atrito entre proprietários e inquilinos sobre a propriedade das fezes. Alguns agricultores foram muito particulares quanto às suas fontes de fertilizantes. Por exemplo, certas áreas foram consideradas como fontes altamente cobiçado para o cultivo de marcas exclusivas de chá japonês.

Você pode se surpreender ao saber que até mesmo os dejetos humanos foram reciclados no Período Edo. Poderia ser chamado de “reciclagem final”, e o químico alemão Justus von Liebig, frequentemente descrito como o pai da química agrícola moderna, elogiou o uso desse material como fertilizante, dizendo que é uma prática agrícola sem igual em sua capacidade de manter a terra fértil para sempre e aumentar a produtividade em proporção ao aumento da população. E há um registro de que o primeiro ocidental que viu a cidade de Edo ficou chocado, nunca tendo visto uma cidade tão limpa.

Naquele tempo, os produtores de culturas agrícolas utilizavam fertilizantes, e os produtores do fertilizante eram os próprios consumidores que comiam essas culturas. Nos tempos modernos, essa conexão entre consumidor e produtor foi quebrada, mas durante o Período Edo essa “reciclagem final” era possível devido à relação interdependente entre consumidores e produtores.

No Período Edo, a reutilização dos produtos era uma prática comum. Havia muitas escolas de templos para filhos de plebeus no Período Edo. Os livros didáticos nas escolas do templo eram de propriedade das escolas, não dos usuários. De acordo com os registros, um livro-texto aritmético foi usado por 109 anos.

Como se pode imaginar, porém, uma reutilização tão extensa e sistemas de reciclagem incorporados na sociedade limitariam os lucros dos fabricantes de papel, gráficas, editoras e expedidores. Na economia de hoje, se as pessoas não comprarem continuamente novos produtos, o mercado vacila.

Em contraste, de acordo com uma lista salarial de carpinteiros contratados pelo governo Edo feudal, levou 200 anos para que os salários dobrassem, implicando uma taxa de crescimento econômico naqueles dias de cerca de 0,3% ou mais. De acordo com os critérios econômicos atuais, a economia do período Edo não cresceu muito. Mas será que podemos concluir que os sistemas do Período Edo, com repetida reutilização e reciclagem, eram inferiores aos nossos modernos sistemas econômicos e sociais?

O Japão no Período Edo poderia servir como um modelo de uma sociedade sustentável. A base de sua economia e desenvolvimento cultural sustentado não era a produção e consumo em massa por conveniência, como vemos na sociedade moderna, mas sim a utilização plena de recursos limitados.

É certo que muitas coisas mudaram hoje, mas talvez haja algumas dicas para um futuro sustentável se olharmos para o passado.

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Compostagem

Compostagem em gráficos

Dos materiais que me deparei, considero que os gráficos abaixo resumem muito bem as vantagens da compostagem termofílica e mostram como ela se difere de outros processos de decomposição de matéria orgânica como os minhocário, a serrapilheira no chão da floresta ou o apodrecimento nos mangues.

Os dois livros de referência estão em inglês. Traduzi apenas o trecho que explicava as imagens.

Patógenos

Há dois fatores primários que levam à morte de patógenos na cocômpostagem (compostagem de fezes humanas). O primeiro é a temperatura. Uma pilha de compostagem que é devidamente manejada destruirá os patógenos com o calor e a atividade biológica que ela gera.
O segundo fator é o tempo. Quanto mais baixa a temperatura do composto, maior o tempo de retenção posterior necessário para a destruição dos patógenos. Dado o tempo suficiente, a ampla biodiversidade de microrganismos no composto destruirá os patógenos pelo antagonismo, competição, consumo e inibição por antibióticos fornecidos pelos microrganismos benéficos. Feachem et al. afirmam que três meses de tempo de retenção matará todos os patógenos em um banheiro seco, exceto ovos de vermes, embora a Tabela 14 indique que pode ocorrer alguma sobrevivência adicional de patógenos.
Uma pilha de compostagem termofílica destruirá os patógenos, incluindo ovos de vermes, rapidamente, possivelmente em questão de minutos. Temperaturas mais baixas requerem períodos mais longos, possivelmente horas, dias, semanas ou meses, para eliminar efetivamente os patógenos. Não é necessário lutar por temperaturas extremamente altas em uma pilha de compostagem para se sentir confiante sobre a destruição dos patógenos. Pode ser mais realista manter temperaturas mais baixas em uma pilha de compostagem por períodos mais longos, como 50°C por vinte e quatro horas, ou 46°C por uma semana. De acordo com uma fonte, “Todos os microrganismos fecais [patogênicos], incluindo vírus entéricos e ovos de lombrigas, morrerão se a temperatura exceder 46°C por uma semana”. (ref.51) Outros pesquisadores tiraram conclusões semelhantes, demonstrando a destruição patogênica a 50°C, resultando em um composto “completamente aceitável do ponto de vista higiênico geral”. (ref.52)

Humanure Handbook, de Joseph Jenkins (2005)

Sucessão microbiológica
e degradação dos materiais

Muitos sistemas de compostagem buscam proporcionar as condições ideais para a compostagem termófila porque suas altas temperaturas promovem uma rápida decomposição e matam sementes de ervas daninhas e organismos causadores de doenças. Estas altas temperaturas são um subproduto da intensa atividade microbiana que ocorre na compostagem termófila. A compostagem termofílica pode ser dividida em três fases, com base na temperatura da pilha: (1) uma fase mesofílica, ou de temperatura moderada (até 40°C), que normalmente dura alguns dias; (2) uma fase termofílica, ou de alta temperatura (acima de 40°C), que pode durar de alguns dias a vários meses, dependendo do tamanho do sistema e da composição dos ingredientes; e (3) uma fase de cura ou maturação mesofílica de vários meses. Medições periódicas de temperatura podem ser usadas para mapear o progresso da compostagem termofílica, produzindo um “perfil de temperatura” mostrando estas três fases (ver figura abaixo).

Diferentes comunidades de microrganismos predominam durante as várias fases de temperatura. A decomposição inicial é realizada por microrganismos mesófilos, aqueles que prosperam a temperaturas moderadas. Estes micróbios decompõem rapidamente os compostos solúveis, facilmente degradáveis, e o calor que produzem faz com que a temperatura do composto suba rapidamente. Quando as temperaturas excedem 40°C, os microrganismos mesófilos tornam-se menos competitivos e são substituídos por microrganismos termofílicos, ou microrganismos que gostam do calor. Durante a fase termofílica, as altas temperaturas aceleram a decomposição de proteínas, gorduras e carboidratos complexos como celulose e hemicelulose, as principais moléculas estruturais das plantas. À medida que o fornecimento desses compostos se esgota, a temperatura do composto diminui gradualmente e os microrganismos mesófilos retomam o controle mudando o processo para a fase final de “cura”, ou maturação da matéria orgânica restante. Embora a temperatura do composto seja próxima à temperatura ambiente durante a fase de cura, continuam a ocorrer reações químicas que tornam a matéria orgânica remanescente mais estável e adequada para o uso da planta.

Composting in the Classroom, Trautmann e Krasny (1997)
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Compostagem

Poda triturada: teste de retenção de água

Pensando na questão da falta de água num terreno, podemos encarar a questão pelo lado da entrada (como a água chega: chuva, córrego, etc.) e também pelo lado da saída (como ela vai embora: evaporação, infiltração, etc.). Uma das formas de evitar que a água saia por evaporação, por exemplo, é cobrir o solo. Outra seria mantê-lo plantado, ou seja, sombreado.

Ciclo da água genérico

Como aqui no Caminhos da Floresta nós recebemos poda triturada da companhia de eletricidade, este é um recurso, de certa forma, abundante. Como ele se comporta em relação à água?

Resolvi, então, fazer um teste para ver quanto de água esse material, em duas etapas do seu processo de decomposição, reteria.

Experimento

A ideia foi analisar a poda recém-triturada seca (A1) e a poda triturada que ficou algum tempo no terreiro das galinhas, parcialmente decomposta (A2). Pesei o volume da amostra seca e depois selecionei uma quantia para ir pro balde, onde ficaria submersa durante 24h. O resultado que eu buscava era saber quanto de água uma massa de poda triturada reteria em relação ao seu peso seco.

Chamei o processo de Retenção, pois a água fica retida no material de duas formas: uma, entrando nos poros (como uma esponja – absorção); outra, ficando na superfície, entre os pedacinhos, por tensão superficial (adsorção).

Diferente do solo, que possui partículas bem menores como argila, silte e areia, a poda triturada tem muito espaço vazio entre cada pedacinho.

No solo, primeiro a água molha as paredes das partículas (água higroscópica), depois preenche o espaço entre elas (capilar) e então, quando chegar à saturação, escorre por gravidade (gravitacional). Depois que chove, o processo é inverso: o “excesso” de água dos poros grandes percola por gravidade mais para dentro da terra, quem sabe até chegar no lençol freático. A água que sobra, grudada nas paredes do material sólido, vai sendo puxada para dentro das plantas ou para a superfície por diferença da pressão. Aí chega um ponto em que a pressão das plantas não consegue mais retirar a água do solo e, caso não venha mais água, entramos no ponto de murcha.

A força que retém a água na parede dos sólidos é mais forte que a força da gravidade. Assim, mesmo se a poda triturada ficar submersa por um bom tempo, o espaço entre os pedacinhos é muito grande, fazendo com que, depois de retirada da água, a força da gravidade leve embora a maior parte da água. Comparada com o solo, por causa do tamanho das partículas, um mesmo volume de poda triturada reterá muito menos água. (O carvão ativado, que possui uma área imensa por unidade de massa, consegue reter ainda mais água que o solo.)

Água no solo

Limitações do experimento

  • O material das podas é variado, contendo diferentes espécies vegetais e diferentes partes da planta (folhas, galhos novos, galhos mais lenhosos).
  • Não sei quanto tempo o material ficou decompondo no galinheiro. Suponho que tenha sido em torno de 2 a 3 meses.
  • Este teste de retenção foi realizado na condição de saturação, ou seja, o material ficou submerso durante um período, o que não é o caso se usamos as podas como cobertura. Em breve, farei um teste de percolação, que simularia melhor a chuva caindo na cobertura.
  • O peso das amostras é pequeno, o que pode resultar em erros na hora de extrapolar para quantidades maiores.

AmostrasPeso
Poda recém-triturada seca (A1)(kg)
Volume de 1 litro (seco)0,185
Qtde a ser submersa1,025
Peso depois de submergido por 24h2,395
Peso de água retida1,37
Taxa de absorção
(kg de água / kg da amostra)
1,37
Poda triturada semi-decomposta (A2)(kg)
Volume de 1 litro (úmido)0,405
Volume de 1 litro (seco)0,265
Qtde a ser submersa0,665
Peso depois de submergido por 24h1,965
Peso de água retida1,3
Taxa de absorção
(kg de água / kg da amostra)
1,95

Discussão

Retenção de água

Antes de mais nada, queria destacar que a amostra semi-decomposta (A2) úmida já continha 53% do seu peso em água quando foi coletada. Ou seja, a decomposição (microrganismos) e as intempéries (umidade) criaram caminhos para a água se infiltrar e ficar escondida dentro da madeira, ao mesmo tempo que reduziam o tamanho do triturado. E veja: ambas amostras receberam a mesma quantidade de chuva nas 2 semanas antes do experimento.

Se a poda estivesse recém-triturada (ainda nova, digamos assim), ela somente conseguiria um resultado semelhante (ter metade do seu peso em água) quando encharcada. Não medi, mas quando esteve exposta ao tempo ela não segurou a água por muito tempo – estava quase seca quando a coletei. O experimento mostrou que, quando saturada, a A1 reteve 1,37 vezes do seu peso seco em água. De uma amostra de 10kg, por exemplo, 5,73 kg seriam água.

Já a poda triturada semi-decomposta, quando submersa, conseguiu atingir aproximadamente o dobro (1,97x) do seu peso seco em água. De uma amostra de 10kg, por exemplo, 6,63kg seriam água.

A amostra semi-decomposta submergida reteve 30% mais água que a “nova”.

Volume

Quando pensei no experimento, não previ a necessidade de pesar o volume da amostra. Mas quando fui coletá-las, notei que a poda recém-triturada ocupava muito mais espaço que a semi-decomposta. Na primeira, 1kg de amostra quase deu conta do saco de coleta. Na segunda, coloquei 2kg e cheguei apenas até a metade do saco. Já sabia que o principal fator para essa diferença era a umidade do material. Mas, sabendo também que a decomposição já estava em andamento, supus que seus pedacinhos se “encaixariam” melhor (por serem menores) que os do material recém-triturado.

Então, peguei um recipiente de um litro e enchi-o com os materiais. Um litro da amostra A1 seca pesava 0,185kg, enquanto a amostra A2 (retirada úmida do solo) pesava 0,405kg. Depois de seca, 1 litro da A2 pesava 0,265kg. Estas pesagens não foram muito bem feitas.

Assim, podemos esperar que 1 kg de uma poda triturada decomposta seca ocupe menos volume que 1 kg de triturado “fresco”. Essa deve ser a principal razão para a amostra A2 conseguir reter mais água, ou seja, devido a pedaços menores, ela tem mais paredes para a água aderir.

Próximas experiências

  • Medir a taxa de retenção de água de 1kg de terra (observando as textura da amostra);
  • Medir o tempo de secagem de uma poda recém-triturada e de uma semi-decomposta;
  • Medir a taxa de retenção de água de 1kg de composto maduro feito com poda triturada.
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ComoFazer Compostagem

Quanto colocar de composto?

Complementando o texto da postagem “Matéria orgânica demais“, esse vídeo de Charles Dowding (com legendas em português) mostra alguns de seus experimentos de vários anos: cavar ou não cavar, composto de planta ou com bosta de vaca, composto incorporado ou sobre o solo?

Um detalhe importante: na postagem anterior, Robert Pavlis está se referindo ao uso de matéria orgânica fresca sobre o solo, enquanto Dowding usa composto bem curtido.

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Matéria orgânica demais

(O texto a seguir é uma tradução de um trecho do livro "Soil Science for Gardeners", de Robert Pavlis)

Será que muito de uma coisa boa pode ser ruim? A resposta é sim. Demasiada matéria orgânica (MO) pode ser tóxica para as plantas.

Acrescentar um montão de matéria orgânica a um novo jardim ou a um campo agrícola mais antigo normalmente não é um problema. Esses tipos de solo quase certamente têm um baixo nível de MO, e adicionar uma boa quantidade só pode ajudar o plantio. O problema ocorre quando isto é feito ano após ano, especialmente em pequenos jardins como nos canteiros elevados. As pessoas fazem novos canteiros elevados com 30% de composto e ainda colocam mais a cada ano.

O efeito inicial da adição de MO fresca é uma explosão de crescimento microbiano e eles precisam de nitrogênio para começar a decomposição. Isto reduz o nível de nitrogênio no solo e deixa as plantas passando fome. O equilíbrio é alcançado ao longo do tempo e o nitrogênio é novamente disponibilizado às plantas.

Lembre-se de que a MO leva vários anos para se decompor totalmente. Se acrescentarmos MO todos os anos, haverá uma acumulação constante de MO não digerida no solo. Após alguns anos, a quantidade será tão grande que os nutrientes liberados podem atingir níveis tóxicos.

A quantidade de NPK utilizada pelas plantas varia de acordo com as espécies, mas um valor médio fica em torno de 7-1-6. Elas utilizam cerca de 7 vezes mais nitrogênio do que fósforo. A maioria dos compostos comerciais à base de estrume tem um NPK de cerca de 1-1-1. Se adicionarmos o suficiente para fornecer o nitrogênio necessário, adicionaremos 7 vezes mais fósforo. Uma vez que o fósforo não viaja rapidamente pelo solo e é convertido numa forma estável, ele acumula-se no solo. O excesso de nitrogênio, por outro lado, lixivia-se facilmente. Repita isto anualmente e poderá ver porque é que os solos atingem rapidamente níveis elevados de fósforo.

Um nível elevado de fósforo torna mais difícil para as plantas absorverem manganês e ferro, resultando numa deficiência efetiva desses nutrientes nas plantas. Isso se manifesta como clorose interveinal das folhas. Algumas pessoas tentam resolver o problema adicionando mais ferro, mas se o problema for causado por demasiado fósforo, adicionar mais ferro não vai ajudar. Níveis elevados de fósforo são também tóxicos para fungos micorrízicos, que acabam não se associando com plantas e, assim, elas precisam formar mais raízes para encontrar seu próprio fósforo. Isso reduz a floração e a frutificação.

Quanta MO é demasiada? Isso é difícil de determinar sem um teste de solo. A quantidade depende certamente da textura do solo, das práticas de cultivo e do ambiente. Depende também da fonte (de MO): material oriundo de plantas tem uma quantidade relativamente menor de fósforo do que o material baseado em estrume. Os efeitos negativos do excesso de MO são também cumulativos e demoram a se mostrar.

Nos últimos anos, os testes no solo de pequenos sítios orgânicos de plantio intensivo mostraram níveis muito elevados de fósforo, juntamente com numerosos problemas de crescimento das plantas. Uma das melhores formas de detectar um problema de MO é monitorizar os níveis de fósforo. Se estes ficarem elevados, pare de adicioná-la.

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Compostagem

Usina de compostagem

Inspirado pelos vídeos e textos de Charles Dowding sobre compostagem e plantio sem cavar, bolei o conceito de “compostagem florestal”. A ideia é usar o princípio das podas, o “pulsar o sistema” da agricultura sintrópica e agrofloresta, mas não de uma floresta criada numa área degradada. Onde vivo, a mata atlântica é voraz. As árvores voltam com muita rapidez. Assim, aproveitando o que já tenho ao redor, ou seja, uma mata secundária densa, e um triturador a gasolina, estou fazendo o experimento de produzir composto estável somente com podas florestais e restos da cozinha (sem esterco, carvão, papelão, serragem da madeireira, etc.).

Para isso, construí uma casinha, que além de bonitinha, facilita o trabalho com o composto. Na região onde vivo (no fundo do vale e na beira do rio), um telhado parece ser essencial para evitar o excesso de água na pilha. Os esteios, linhas e caibros tirei na motosserra a partir dos pinus que estão pelo terreno e tratei queimando. Mesmo o material estando meio torno, deu pro gasto.

Meu plano é construir mais duas baias adjacentes até o inverno. Dependendo dos resultados do composto (e dos outros milhares de afazeres e viagens), pretendo ir aumentando o número de baias. O objetivo é chegar a 1 tonelada de composto por mês. Parte usaremos aqui no Rancho sem Nome, parte tentarei vender.

Este experimento também tem a função de servir de projeto-piloto para a venda desse serviço de compostagem. Se você tem interesse em montar algo parecido no seu sítio, entre em contato comigo. O esquema de trabalho seria:

  • 1 dia: Construção de uma baia de compostagem (com todo o material já comprado)
  • 1 dia: Podas e trituração para preenchimento do volume de uma baia (em torno de 1,5m3)
  • 1 dia: Dois meses depois, voltar para revirar a pilha e adicionar mais poda triturada para completar novamente o volume total da baia.
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ComoFazer

Dicas para fazer composto

Essa postagem é uma tradução do artigo Advice on Making Compost, de Charles Dowding.


Gostaria de lhe mostrar quão divertido e interessante é a compostagem!

Existem vários tipos de compostagem e a caseira é a mais diversa e interessante, graças à variabilidade sazonal dos ingredientes, dos tamanhos das pilhas e dos métodos. Fazer composto é uma curtição e se você ainda não experimentou, vai lá. Você irá transformar restos em algo valioso.

Em 13/8/2018, Richard Loader, do Here We Grow, do Reino Unido, escreveu:
“Depois de visitar o jardim de Charles Dowding e ver o seu sistema de compostagem, começamos a ver nossas pilhas de compostagem de forma muito diferente. A remoção de erva daninha, as podas, as roçadas que fazíamos antes pareciam um dever tedioso, mas agora, essas atividades se tornaram colheitas de alimento para o que começamos a chamar de “A besta”. Recolhemos os “marrons” e os “verdes” e misturamo-os de tal forma a satisfazer o apetite da besta e nos divertimos observando o processo de decomposição e aquecimento com um termômetro comprido. É como se tivéssemos um novo animal de estimação para cuidar.”

Uma pilha de compostagem transforma até mesmo as raízes das ervas daninhas perenes e resistente em comida para os organismos do solo e as plantas. Não acredite em tudo que ler sobre aquilo que “pode e não pode” compostar. Veja o que Stringfellow escreveu num fórum online no tópico “rabo de cavalo” (horsetail, Equisetum) em 16/06/2018:

“No meu lote, havia um gramado de “rabo de cavalo”. Como naquela época eu era um iniciante, e paranoico por ver os “rabos de cavalo” crescendo pelo concreto, a gente cortava a parte de cima e deixava o resto. Hoje fico pensando que devia ter compostado tudo. Se ficar de olho na pilha, você verá que pouco ou nada irá rebrotar – descobri que rapidamente eles murcham e morrem. No final, o seu lote vai ter tudo o que é preciso para cultivar seus vegetais.”

Para mais dicas, veja meu vídeo no Youtube sobre “How to make compost“.

Recebi esse adorável comentário na página desse vídeo em agosto de 2019, escrito por Devdas:

“Venho juntando borra de café das lojinhas dos postos de gasolina. Toda a rede da Waitrose Morrison entrega para qualquer pessoa que vá buscar. Antes, eu jogava fora a grama cortada; agora tô cultivando para compostar 🙂 Cortar grama era um saco; agora, vejo essa atividade de forma totalmente diferente.”

Se quiser mais, tem bastante material sobre como fazer e usar composto no meu curso online sobre “No dig online course“.

Por que compostar e não apenas empilhar material orgânico não decomposto (mulch)?

Composto é a matéria orgânica que foi decomposta, feita de folhas, bosta, ervas daninhas, madeira e papel. O composto alimenta o solo de forma lenta e constante, permitindo que o solo alimente as plantas. Nos jardins, uma pilha de compostagem acelera o processo natural de decomposição, resultando em menos lesmas do que a palha não decomposta (mulch) e em plantas mais fortes.

A matéria orgânica permite que o solo se torne agregado, grumoso, estável e aerado, e ela também é comida para os bilhões de habitantes do solo, na sua maioria, invisíveis. A matéria orgânica é carbono, e mais carbono no solo significa menos na atmosfera.

Bosta fresca é matéria orgânica, certo? Até aí, nada de novo. Mas comparada com um composto, ela contém menos organismos vivos, como fungos, e os seus nutrientes são mais solúveis em água. Daí derivam as preocupações sobre lixiviação de nitratos da slurry (cocô de vaca puro e fresco), que os legisladores [britânicos], devido a informações confusas, modificaram a lei para incluir o composto.

Escrevi “informações confusas” pois no composto, os nutrientes não são solúveis em água, o que significa que eles não lixiviam com a chuva. E o composto é muito mais do que nitratos/fertiliante/comida para plantas. Seu estímulo à biologia do solo garante o aumento e a manutenção da fertilidade.

Pilha de composto com seis semanas em Homeacres. Retirei a prancha da frente para mostrar o seu perfil.
Pilha de composto com nove meses depois que os torrões quebraram enquanto carregava o carrinho de mão – está pronto para ser espalhado.
Charles está espalhando um composto com oito meses, depois de ter colhido o aipo.

Por que composto e não fertilizante?

Sempre achei que usar fertilizantes era um perigoso atalho em termos de saúde do solo, e da nossa saúde. Veja esse recente e extenso estudo sobre o dano que os fertilizantes sintéticos causam à vida do solo e também, no final das contas, à vida marinha, pois muitos deles são lavados para os cursos d’água. Eles curto-circuitam o crescimento das plantas e são uma das razões para a falta de minerais nos alimentos.

Uso composto porque ele não é um fertilizante no sentido “moderno” do termo. Ao invés disso, ele é um estimulante biológico, que alimenta a vida do solo e faz com que os organismos do solo auxiliem as raízes das plantas a encontrar comida e água. Pense nele como um ativador, mais do que uma fonte primária de comida.

A qualidade do composto

Na compostagem, atingir a maturidade significa que o calor da pilha quase desapareceu, pois o processo terminou. As minhocas (brandling worms) só aparecem neste momento e a pilha diminui sua quantidade de vermes, mas aumenta a qualidade deles. Pode levar até seis meses até que as minhocas apareçam nas minhas pilhas em Homeacres, pois até lá as pilhas são muito quentes, exceto no inverno.

Contraste isso com o composto municipal que parece bom e “terminado” depois de apenas algumas semanas (se foi triturado e, em seguida, revirado com regularidade). Entretanto, sua cor preta é devido à carbonização causada pelas altas temperaturas, que chegam até 80 oC, pois uma enorme quantidade de bactérias termofílicas são encorajadas a se multiplicarem devido à reviragem regular e à introdução de ar.

Já peguei alguns sacos desse “composto”. Sua temperatura era de 60 oC. E apesar de parecer composto, preto e agregado, quando tentei espalhá-lo pelos canteiros e plantar nele, obtive parcos resultados quando comparado com o mesmo material depois de seis meses de fermentação.

Você pode plantar ou semear num composto verde desde que ele já tenha resfriado e maturado. Verifique a temperatura dele no momento de chegada, pois talvez o seu fornecedor já o tenha deixado descansar por tempo suficiente para poder ser usado.

Em 2016, investi num galpãozinho para a minha área de compostagem, com o objetivo de evitar receber chuva. No Reino Unido, a água geralmente muda a compostagem aeróbica em anaeróbica, por retirar o ar. A compostagem anaeróbica transforma a matéria na cor preta ao invés de marrom escura, tornando-a mais mal-cheirosa e menos agregada. Por isso, vale a pena colocar um telhado sobre as pilhas para evitar a chuva – isso mantém o ar dentro e não tem nada a ver com prevenir a lixiviação!

Ingredientes, verdes, marrons e umidade

  • Os ingredientes verdes são moles, folhosos, cheios de nitrogênio, geralmente úmidos e pobres em fibras. Cascas de vegetais e restos de comida são, na sua maioria, verdes. Eles fazem com que a temperatura aumente.
  • Os ingredientes marrons são fibrosos, mais secos e mais lenhosos do que folhosos.
  • Alguns materiais são tanto verdes quanto marrons.
  • Alguns ingredientes verdes, como borra de café e bosta de cavalo (ambos com 3% de nitrogênio) parecem marrons.

Por que fazer essa diferenciação? Quando você atinge o equilíbrio desejado de em torno de 50% de cada, ou talvez um pouco mais de verde do que de marrom, isso contribui para o nível correto de umidade, calor e estrutura/aeração. Veja mais nesse vídeo.

As quantidades de verdes e marrons são difíceis de comparar – os verdes geralmente são mais volumosos, os marrons, mais densos. Assim, 50:50 significa que uma camada de 7 cm de folhas verdes equivale, em valores de compostagem, a 2,5 cm de materiais marrons, como serragem e papelão.

No clima britânico, o ar geralmente é muito úmido e por isso também são úmidos os materiais que adicionamos à pilha de compostagem. À medida que vão se decompondo, a umidade vai sendo liberada e se infiltra na pilha. Caso ela não seja drenada ou absorvida pelos materiais mais secos, o composto se tornará encharcado e sem ar, ou anaeróbico. Isso diminui a velocidade ou mesmo pára o processo de decomposição: adicionar papel, terra e outros ingredientes marrons podem remediar a situação.

Em contraste, durante o verão seco de 2018, acabei tendo que regar as pilhas de composto. Especialmente quando reviramos as pilhas e vários bolsões secos se tornam visíveis. Os níveis de umidade são difíceis de observar.

As fotos abaixo são de Homeacres, outubro de 2018, da quinta pilha daquele ano, com 1,5 m2.

1 camada de marrons que inclui papelão e serragem
2 camada de verdes com folhas de chicória
3 mais restos verdes que incluem poda do alho poró e brocolis
4 agora outra camada de marrons com restos de madeira e um tanto de borra de café

Bom para compostar

  • Ervas daninhas (verde) costumam vir com um pouco de terra (marrom) nas suas raízes, então dá pra fazer um bom composto apenas com elas. Dá para compostar ervas daninhas perenes também: costumo colocar raízes e folhas de bindweed (Convolvulus, Calystegia), docks (Rumex), urtigas, buttercups (Ranunculus), dandelions (Taraxacum) e couch grass (Agropyron repens). Elas se decompõem mesmo nas pilhas frias do inverno e só voltam a crescer se deixadas expostas à luz. Poupa-se muito tempo não separando as ervas peneres.
  • Folhas recém-cortadas são “verdes” e as folhas envelhecidas são mais “marrons”. Então, as folhas das árvores que caducam no outono são “marrons”.
  • As folhas de ruibarbo (Rheum) e as cascas de cítricos são boas de compostar, sei disso por experiência. As cascas de ovos trazem estrutura para a pilha mas decompõem bem devagar. Frequentemente, acabam ficando na superfície quando o composto é espalhado.
  • Folhas doentes também são boas de compostar, como as folhas mofadas da abobrinha e alface, folhas emboloradas de alho e alho poró, folhas amareladas de batatas e tomates e também tubérculos e frutas podres. Os esporos de certos fungos precisam dos tecidos vivos das plantas para sobreviver. Sendo assim, eles morrem na pilha de compostagem e, da mesma forma, no solo. Já espalhei composto feito de folhas mofadas (blight) em volta de tomateiros sem que isso tenha gerada problema algum.
  • A maioria dos materiais triturados são lenhosos (marrom) e a velocidade da sua decomposição depende do seu tamanho. Mas também depende se foram esmagados ou simplesmente cortados: esmagados é melhor. Mantenho uma pilha de galhos triturados perto das pilhas de compostagem de verão para poder adicionar uma boa quantidade quando trago grama cortada e novas folhas.
  • Outros materiais “marrons” são papel (amassado é melhor), papelão, que podem ser adicionados em pedaços grandes, cinza de madeira (no inverno, minhas pilhas chegam a ter até 10% de cinzas), terra e palha (que fornece uma boa estrutura e aeração à pilha).
  • Bosta fresca de qualquer animal é “verde” e é excelente para aumentar a velocidade da decomposição. Se você tiver animais de grande porte, como vacas ou cavalos, a bosta e a cama deles vão “tomar conta” da pilha de compostagem, em termos de volume, o que significa que ela vai se tornar mais uma pilha de bosta. Bosta velha é composto, só que de uma qualidade diferente.
  • Preste atenção ao colocar muita cama de animal feita de serragem grossa. Elas são muito secas e lentas para decompor. Não é o fim do mundo, mas o seu composto final corre o risco de ficar muito lenhoso.
O termômetro de 28 cm de comprimento mostra que uma boa decomposição está em andamento.

Qual o tipo de recipiente: inteiro ou aberto?

Uma caixa com os lados de plástico ou madeira mantém os materiais da pilha unidos, aumentando o calor e a umidade. Além disso, você pode evitar a chuva colocando uma cobertura. Costuma-se dizer que as caixas de madeira precisam ser feitas de tábuas para deixar o ar entrar, mas descobri que isso faz pouca diferença: minhas pilhas feitas com laterais de compensado fazem ótimos compostos. Elas conservam tanto o calor quanto a umidade. Parafuso-as em esteios laterais, o que facilita tirá-las quando é preciso revirar as pilhas ou esvaziá-las.

As 7 baias de Homeacres (assista este vídeo para ver o meu método)

  • Os esteios têm seção quadrada de 15cm, feitos de pinus tratado, apoiados numa base de concreto de 30cm2. Eles têm 2,4m de altura, sendo que os de trás foram cortados com 30cm a menos para fazer a caída do telhado.
  • A estrutura do telhado é de pinus tratado e muitas das laterais das pilhas eram de compensado. Mas agora estou substituindo-as por tábuas de pinheiro Douglas.
  • O resto é como você pode ver. O telhado é de metal.
  • Cavamos os buracos e os marceneiros levantaram a estrutura por 4.000 libras.
  • Cada baia tem 1,7m de profundidade e 1,8m de largura, dando mais ou menos 3m2. A base de todas elas é a própria terra.
  • Após preencher 1,5m em altura, o material encolhe até a metade do tamanho em 6 a 8 semanas.
  • Portanto, cada baia contém em torno de 2,1m cúbicos de composto, ou 1,5 tonelada dependendo da quantidade de umidade.
  • A primeira baia que enchemos é a n.2, pois ao revirar, jogamos o seu material na n.1. Depois enchemos a n.3, que vai para a n.2, e assim por diante.

Os recipientes de plástico disponíveis para compra são pequenos, o que restringe o quanto de calor eles conseguem manter. Meus testes com o recipiente da marca Rotol raramente alcançavam temperaturas acima de 45oC e, por isso, muitas sementes de ervas daninhas sobreviviam ao processo. Entretano, o composto era bom e os lados eram facilmente levantados quando preciso.

Base
O solo é a melhor opção, por causa da drenagem e para que os organismos entrem por baixo à medida que o calor diminui, ou mesmo antes disso.

Como montar a pilha
Adicione os restos do seu jardim à medida que forem aparecendo, em camadas ao invés de amontoá-los no centro, para que tenha uma distribuição uniforme de diferentes materiais. Às vezes, será necessário “equilibrar” os materiais em termos de “verdes” e “marrons”.

Na maior parte da estação de crescimento das plantas temos um excedente de “verdes”, portanto, tenha à mão uma pilha ou alguns sacos de papel, folhas secas, papelão e galhos triturados, especialmente quando for adicionar grama cortada. No inverno, temos mais “marrons”, aí a bosta fresca ou borra de café vão ajudar no equilíbrio.

Quando parar de acrescentar material?

  • Pequenos jardins geram pouco material e pode ser difícil encher uma caixa, mesmo ao longo de um ano. Utilize uma caixa pequena pois se estiver cheia, ela fará um composto melhor do que uma grande pela metade. Após preenchê-la durante um ano talvez, esvazie-a num lugar próximo e retire o que não tiver decomposto com um forcado e use o resto.
  • Em jardins grandes, as pilhas podem crescer de 1,2m a 1,5m em um mês. Continue enchendo mesmo depois que atingir essa altura por mais 2 a 4 semanas, pois a pilha vai continuar a encolher, e então cubra-a com palha, carpete ou lona plástica (de preferência, uma lona, para evitar a chuva). Comece uma nova pilha. Para ter melhores resultados, revire a pilha completada depois de 1 a 3 meses e deixe-a descansar por mais 2 a 4 meses.
Essa pilha levou 6 semanas que ser feita. Ela foi finalizada 5 semanas antes do necessário e desparafusei a lateral para revirá-la.
Composto revirado na pilha da esquerda. Na direita, está o composto que reviramos 6 semanas antes, com um tempo total de 14 semanas.

É preciso revirar o composto?

Em uma produção de composto de grande porte, vale a pena revirar as pilhas para misturar e aerar, pois isso acelera a decomposição. Em Homeacres, reviramos cada pilha uma vez, jogando-a para a direita, como pode ser visto nas fotos. É preciso um espaço vazio ou uma caixa perto da pilha a ser revirada. Isso tornará o composto mais fino, o que pagará o tempo gasto no processo.

Use um forcado com longas pontas. Desfaça qualquer bolo agregado que aparecer. Revirar significa misturar e sacudir e também permite verificar a qualidade do composto. Se você encontrar qualquer parte seca, adicione um pouco de água, ou se tiver muito molhado, acrescente papelão.

No caso de uma pequena pilha que talvez mal seja preenchida no curso de um ano, revirar não vale a pena.

A Lei dos Rendimentos Descendentes se aplica à compostagem. Nunca reviro uma segunda vez, pois os ganhos são marginais, comparados a apenas uma revirada.

Composto terminado

Depois de um ano você vai encontrar uma textura grumosa de qualidade variável. Se houver bolos agregados, eles precisam ser quebrados com o forcado quando estiver enchendo o carrinho de mão. Se o composto estiver num marrom escuro será melhor que preto (significando, neste último caso, falta de ar e muita umidade).

Peneirar o composto antes de usar não vale o tempo e o esforço. Apenas tire os pedaços grandes de material não decomposto, incluindo raízes de ervas daninhas perenes que são brancas e fáceis de perceber. Não é preciso temer essas raízes pois mesmo que você deixe alguma passar enquanto estiver espalhando o composto, haverá outra chance de vê-las quando começarem a rebrotar. Serem visíveis e fáceis de remover são vantagens do método de plantio sem cavar com o composto colocado na superfície, ao invés de incorporado.

Uma das qualidades do composto maturado é que o carbono/matéria orgânica foram transformados em humus, agora conhecido como glomalina.

Espalhando composto feito em casa num novo canteiro sem cavar.
Na esquerda, espalhei composto feito de restos verdes; na direita tem o composto feito em casa, de cor mais clara.

Glomalina

Essa substância foi descoberta recentemente em 1996, pela cientista Sara F. Wright, enquanto trabalhava para o Serviço de Pesquisa Agrícola dos Estados Unidos. Ela descobriu como extrair esse material parecido com uma cola que mantém unidas as partículas do solo, dando-lhe estrutura e grumosidade (tilth). Ela corresponde a talvez um quarto ou mais do carbono do solo e existe por décadas em solos não cavados ou arados, diferente dos constituintes não-minerais de curta duração do solo.

Parece que a glomalina é muito provavelmente produzida por fungos do tipo micoriza, como descreve Sara Wright:

“Observamos a glomalina na parte externa da hifa e acreditamos que é assim que a hifa se cobre para poder carregar água e nutrientes. Pode ser também que seja ela que dê a rigidez que as hifas necessitam para abrir espaço para o ar entre as partículas do solo.”

Durante o crescimento das plantas, à medida que as raízes se extendem solo adentro, os fungos próximos às primeiras raízes morrem, ao mesmo tempo que novos fungos colonizam e trabalham junto às extensões das novas raízes. Os fungos em decomposição liberam sua glomalina e ela permanece no solo como uma bainha grudenta em volta das partículas próximas.

Isso levanta o intrigante argumento de que o crescimento das plantas ajuda a construir a matéria orgânica do solo, desde que o solo não seja perturbado.

“Em um estudo que durou 4 anos no Centro de Pesquisa Agrícola Henry A. Wallace (em Maryland, EUA), Wright descobriu que os níveis de glomalina subiram a cada ano depois que se começou a não arar o solo. Essa é uma prática moderna de conservação que usa equipamentos para plantar sementes sem arar previamente. Essa prática foi desenvolvida para proteger o solo contra a erosão, deixando os campos cobertos com os resíduos da colheita.”

“A glomalina subiu de 1,3 miligramas por grama de solo (mg/g) depois do primeiro ano para 1,7 mg/g no terceiro. Um campo próximo, que foi arado e cultivado todos os anos, tinha apenas 0,7 mg/g. Em comparação, um solo coberto por grama durante 15 anos tinha 2,7 mg/g.”

Supõe-se que as brássicas e beterrabas* não aumentam os níveis de glomalina, já que elas não trabalham associadas a fungos durante seu crescimento. Mas a maioria dos alimentos que cultivamos, incluindo cereais, cooperam com fungos e os cientistas estão buscando formas de impulsionar os fungos como um caminho para reduzir a dependência dos fertilizantes de fosfato.

* Comentário do Charles: coloco essa afirmação em questão. Nas minhas comparações entre cavar e não cavar, observei como as brássicas e beterrabas plantadas sem cavar se desenvolveram repetidamente melhor que as plantadas em solo cavado. Lembro que no início dos anos 1980, li que os fungos micoriza eram usados pelas árvores e não pelos legumes. A visão “científica” continua mudando, pois ela é apenas um pequeno quadro do que conseguimos entender.

Compostagem e os fungos

O novo conhecimento sobre a glomalina se estrelaça com o velho trabalho de Albert Howard, noventa anos atrás, sobre o valor do composto. Ele ensinou aos agricultores sua receita desenvolvida na Estação de Pesquisa Indore, na Índia, e em seguida descobriu como uma pequena aplicação de composto pode transformar o solo de plantações cansadas de chá, permitindo às plantas redescobrirem seu vigor. Howard havia estudado para ser químico e inicialmente ensinou compostagem em termos do alimentos químicos, como NPK, que reciclavam os nutrientes do solo.

Depois, a partir dos resultados que obteve ao utilizar composto, associado ao seu conhecimento de que os níveis de nutrientes quase não haviam aumentado pois ele tinha adicionado muito pouco, Howard percebeu que o composto tinha um papel muito mais importante. Foi aí que reconheceu a função do composto e dos fungos do solo, e a capacidade do composto de ajudar os fungos a se multiplicarem.

Para crescerem e se multiplicarem numa pilha de compostagem, os fungos necessitavam materiais fibrosos (madeira ou talos), e não muito calor. Pode-se vê-los mais nas bordas das pilhas quando as reviramos, pois o centro fica muito quente. Depois, à medida que vai esfriando, eles colonizam toda a pilha.

Na época do trabalho de Howard, na década de 1930, os fungos da micoriza estavam recentemente sendo notados e avaliados por cientistas como Dr. Rayner, que trabalhou para a Comissão Florestal, em Dorset.

Isso tudo nos mostra o valor de transformar bosta e outros resíduos em composto. Percebi, em Homeacres, o quão melhor os cultivos crescem onde o composto aplicado está completamente maturado. Ele fica escuro, em pedaços e o seu cheiro é doce, sem amônia ou enxofre, como quando a bosta fica amontoada num estado anaeróbico.

Assim, para fazer o seu precioso composto de maneira eficiente, o melhor método é através da compostagem na superfície do solo. Os organismos do solo estão esperando, mesmo num clima de inverno moderado, para comer a matéria orgânica superficial e excretar, como as minhocas. Quando você fornece aos organismos do solo um composto de alta qualidade, os resultados são maravilhosos.

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Poço de compostagem

Quando subi o telhado do Barracão (minha antiga casa) e montei a barraca lá embaixo, comecei a inventar coisas esdrúxulas. Por exemplo, cavar um buraco para fazer um micro-laguinho do lado de casa. Ele tinha mais ou menos o formato de um comprimido, com 1,5m de comprimento, 50 cm de largura e uns 40 cm de profundidade. Botei um resto de lona no fundo, enchi com água da chuva e pronto: já podia receber alfaces dágua (Pistia stratiotes) e pinheirinhos dágua (Myriophylum aquaticum). Em pouco tempo, apareceram as rãs. E com elas, os sapos-martelos, que passavam as noites numa batucada infernal.

Foi ali, naquela poça permanente que presenciei a luta de uma líbelula para salvar outra libélula das garras de uma aranha-marrom. A que estava livre, de tempos em tempos voava até a superfície da água e com uma “rabada” lançava respingos contra a aranha, que carregava com dificuldade sua presa sobre a água. O salvamento falhou, mas o espetáculo natural de amizade, solidariedade, ou sei lá qual nome dar ao propósito daquela ação, foi incrível.

Bom, até que um dia, a lona furou e a água se foi. Decidi não consertar. Ao ver as plantas aquáticas secando, me veio a ideia: vou usar esse buraco para compostar!

Então, comecei a juntar folhas do mato, picotar as podas de guandu e ingá, depois veio o margaridão, joguei bosta de vaca e os restos de cinza. O buraco ficava sempre coberto por um carpete pesado. Dei umas reviradas de vez em quando, parei de mexer lá no final do inverno e deixei descansar por 4 meses .

Aqui está o resultado:

Acho que foi importante manter o composto coberto, não tenho certeza. Ainda tinhas uns galhinhos sem decompor. E fiquei surpreso com algumas folhas também no meio do caminho, sem estarem totalmente degradadas. As podas de guandu desapareceram completamente. Num ponto, encontrei alguns cupins. Em outro, umas formigas (o que me preocupou; não imaginava que elas apareceriam). A esse altura do processo, não percebi sinais de fungos (nem brancos, nem coloridos, nem mofos). E a umidade do composto parecia baixa, mas não estava exatamente seco.

Espalhei a maior parte dele pelos canteiros e recomecei o processo. Agora usando podas de ora-pro-nobis, mamona verde, almeirão japonês, folhas de couve, as plantas espontâneas sem sementes (buva, capiçova, alface do mato, etc.) e restos de troncos podres que recolhi no mato.

Charles Dowding afirma que dá para colocar as espontâneas seja com bulbos seja com sementes, pois a temperatura da compostagem acaba degradando essas partes também. Escolhi não arriscar ainda. O volume ali é pequeno. Mas quando tiver uma composteira melhor/maior, onde consiga controlar as condições dela, provavelmente farei a experiência.